Análise -
As chances de se encontrar sobreviventes das enchentes são pequenas.
“Claro que deve haver pessoas isoladas,
em cima de telhados, mas dificilmente haverá sobreviventes embaixo de
escombros”, diz ele.
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Da Rede Almeidense | Com agências

BBC BRASIL
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“Em deslizamentos de terra, as primeiras
24 horas são cruciais. É uma situação completamente diferente de terremotos,
por exemplo, quando podem ser criados espaços com muito ar, onde é possível
sobreviver por vários dias”, explica o diretor de operações da organização
de resposta a desastres Rapid UK.
“Claro que deve haver pessoas isoladas, em cima de telhados, mas
dificilmente haverá sobreviventes embaixo de escombros”, diz ele.
“Quando há muita lama, como nas imagens que vi do Brasil, as pessoas acabam
ficando submersas, é como ser afogado numa banheira, não há ar.”
Segundo Holland, só seria possível sobreviver a uma tragédia como a da serra
fluminense por vários dias se uma pessoa ficasse presa em um espaço similar
a um porão, protegida por uma estrutura de concreto em um espaço com muito
ar.
“Ainda assim, o resgate seria extremamente complicado, porque sempre há a
possibilidade de novos desabamentos ou ainda de lama e água entrarem e
afogarem a pessoa durante a própria operação”, diz Holland.
Tragédia de Aberfan
O especialista britânico relembrou o caso do vilarejo de Aberfan, no País de
Gales, nos anos 1960, quando após vários dias de chuva uma montanha de
dejetos de uma mina de carvão deslizou sobre várias casas e uma escola.
Algumas crianças foram resgatadas com vida na primeira hora após o desastre
e as equipes conseguiram encontrar sobreviventes até 16 horas mais tarde. O
desastre provocou a morte de 116 crianças e de 28 adultos.
Nas enchentes da região serrana do Rio, o trabalhador da indústria Marcelo
Pinheiro Fonseca também foi resgatado com vida após ficar preso em escombros
por 16 horas.
Segundo relatos de testemunhas, Marcelo ficou preso em um corredor, então
tinha acesso a uma corrente de ar. Haveria quatro metros de terra em cima
dele e ele já relatou que já tinha dificuldades para respirar nas horas
anteriores ao resgate.
O especialista John Holland explicou que em casos como o de Marcelo,
equipamentos de detecção de som e CO2 são extremamente úteis, por ajudar a
localizar pessoas vivas sob escombros.
Holland disse que a organização Rapid UK está disposta a ceder especialistas
e equipamento para os trabalhos de resgate no Brasil, mas afirma acreditar
que as autoridades brasileiras estão “bem capacitadas para lidar com a
situação”.
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