Banco do Brasil fechou
negócio bilionário sem
parecer técnico
|
Funcionário de carreira
do Banco do Brasil (BB),
Aldemir Bendine começou
na instituição como
contínuo aos 14 anos de
idade. Já são 33 anos de
casa
|
|
|
|
Da Rede Almeidense | Com
agências internacionais

|
[
+ ][
- ] |

O
presidente do BB, Aldemir Bendine, na
sede do banco. No mercado, o preço pago
na compra do Banco Postal foi
considerado altíssimo. Mas ele acha que
foi um dos melhores negócios fechados
pelo BB
(Foto: Silvia Zambone/Folhapress)
A participação no Banco Postal,
feita sem o parecer de auditores
externos, deixa o presidente do
BB, Aldemir Bendine, numa
situação delicada dentro do
governo
Há menos de um mês, o secretário
executivo do Ministério da
Fazenda e presidente do Conselho
de Administração do BB, Nélson
Barbosa, prestou atenção a esse
episódio. Ele pediu explicações
à diretoria do banco sobre a
falta do parecer. Começava ali
uma ginástica engendrada por
Bendine e sua equipe para
explicar a transação que ele
julgava ter agradado a todo o
governo.
A oferta do BB superou em R$ 50
milhões o lance final do
Bradesco, que opera o Postal há
dez anos e sabe, como nenhuma
outra instituição, quanto o
negócio vale. ÉPOCA
apurou que o presidente do
Bradesco, Luiz Trabuco,
classificou como “irracional” o
preço oferecido pelo BB. Trabuco
afirmou a pessoas de sua
confiança que o próprio Bradesco
se excedera quando deu um lance
de R$ 2,25 bilhões. Em 2001,
quando o Bradesco venceu a
disputa para explorar os
serviços bancários nas agências
dos Correios por dez anos, pagou
R$ 200 milhões no leilão.
Atualizado pela inflação, esse
montante não chega a R$ 450
milhões, hoje. Para o Bradesco,
o Banco Postal transformara-se
não somente numa rede de
atendimento complementar, mas em
parte vital de sua estratégia de
marketing. Significava anunciar
na TV sua “presença” em todo o
país. (...)
Funcionário de carreira do Banco
do Brasil (BB), Aldemir Bendine
começou na instituição como
contínuo aos 14 anos de idade.
Já são 33 anos de casa. Dida,
como é conhecido internamente,
galgou vários postos até
alcançar o cargo máximo do BB em
abril de 2009, quando assumiu a
cadeira de presidente. Oriundo
do governo Lula, Bendine chegou
à administração da presidente
Dilma Rousseff cercado de
rumores de que não permaneceria
no cargo. Bendine não queria
sair. E estava disposto a jogar
o jogo que o governo quisesse –
ou melhor, o jogo que alguns
integrantes do governo queriam.
Ele jogou. Mas a situação se
complicou.
Em maio, tomou uma decisão que
agora está lhe causando
problemas internos no governo.
Naquele mês, o BB decidiu pagar
R$ 2,3 bilhões para explorar
serviços bancários na rede de
agências dos Correios, o Banco
Postal. Pelos próximos cinco
anos, o BB terá à disposição
cerca de 6.200 pontos de
atendimento e aproximadamente 10
milhões de clientes.
Aparentemente, trata-se de um
bom negócio, que contou com a
bênção do ministro das
Comunicações, Paulo Bernardo, a
quem os Correios estão
subordinados. A entrada firme do
Banco do Brasil na disputa foi
encarada pelo governo como uma
oportunidade única para
alavancar a receita dos
Correios, há anos em crise, com
sérios problemas na entrega de
correspondências. Mas a conta
saiu cara demais para o BB.
Pior: o banco simplesmente
desconsiderou um procedimento
aplicado em todos os negócios de
magnitude semelhante. Dispensou
a contratação de um parecer
denominado fairness opinion
(opinião justa), um documento
produzido por auditorias
externas para quantificar o
valor de um determinado negócio
e salientar riscos para os
acionistas das empresas.