Chuvas arrasam região serrana do Rio e deixam mais de 100 mortos
Imagens de TV mostraram ruas tomadas pela
água, carros e ônibus submersos, e várias casas soterradas pela lama que
desmoronou de encostas em Teresópolis. Segundo o prefeito Jorge Mário, ainda
há muitos desaparecidas.
|
Da Rede Almeidense | Com agências

|
Texto
[ - ]
[ +
]
|
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Cidades da
região serrana fluminense foram castigadas por fortes chuvas que caíram na
noite terça-feira e na quarta, soterrando pessoas dentro de casa e
transformando ruas em rios de lama e entulho. Ao menos 114 moradores
morreram em três cidades, segundo autoridades locais.
Em Teresópolis, 89 pessoas morreram vítimas da tragédia. Os municípios de
Petrópolis e Nova Friburgo também sofreram graves consequência das fortes
chuvas, com 18 e 7 mortes já confirmadas, respectivamente, de acordo com as
duas prefeituras.
Imagens de TV mostraram ruas tomadas pela água, carros e ônibus submersos, e
várias casas soterradas pela lama que desmoronou de encostas em Teresópolis.
Segundo o prefeito Jorge Mário, ainda há muitos desaparecidas.
"Esse número (de mortos) vai crescer porque as equipes ainda estão chegando
aos locais mais atingidos", disse o prefeito à TV Globo. "É um estado de
calamidade, é a maior catástrofe da história do município."
O local mais atingido na cidade foi o bairro do Caleme, região humilde
afastada do centro, onde uma represa da Cedae transbordou e provocou o
soterramento de várias residências localizadas em encostas, disse uma
testemunha à Reuters.
A casa do motorista Antônio Venâncio, de 53 anos, permaneceu de pé, mas foi
invadida por água e lama. Ninguém da família ficou ferido, mas moradores
vizinhos não tiveram a mesma sorte.
"Eu mesmo passei por seis corpos na minha rua. É uma tragédia enorme, o povo
não sabe o que fazer diante de uma coisa horrível dessa", contou por
telefone.
Depois da chuva que castigou o município durante toda a noite, o sol
apareceu no início da tarde desta quarta, mas todo o comércio do centro
permaneceu fechado. O clima na cidade era de luto, de acordo com outra
moradora.
"Está tudo fechado, as pessoas não conseguiram chegar para trabalhar. A
cidade está completamente abatida e triste com isso que está acontecendo",
contou a dona-de-casa Janayna Sofia.
O governador Sérgio Cabral solicitou à Marinha que aeronaves fossem
disponibilizadas para deslocamento de tropas e equipamentos para a região,
uma vez que a principal estrada de acesso a Teresópolis foi interrompida por
diversas quedas de barreiras.
O governo federal prepara medida provisória para liberação de 700 milhões de
reais aos municípios atingidos pela chuva.
A forte chuva começou na noite de terça-feira e, de acordo com os bombeiros,
choveu nas últimas horas na região serrana o equivalente ao previsto para um
mês inteiro.
BOMBEIROS SOTERRADOS
Em Nova Friburgo, um prédio de três andares desabou e matou uma criança, um
idoso e um bebê. Uma equipe do Corpo de Bombeiros também foi soterrada
quando tentava realizar um salvamento.
"Infelizmente temos três bombeiros entre as vítima. Choveu muito forte e a
situação está intensa", disse o comandante geral do Corpo de Bombeiros,
Pedro Machado. Há ainda um quarto bombeiro desaparecido.
Muitas pessoas estão ilhadas nas cidades devido ao alto nível das águas que
cobriram ruas e avenidas. Vários bairros estão sem luz e telefone.
"A situação aqui em Friburgo é caótica. As pessoas estão sem poder se
locomover. Está terrível, o Rio Bengala transbordou e várias pontes
desabaram", disse um bombeiro da cidade à Reuters.
O vice-governador, Luiz Fernando Pezão, foi à região serrana para prestar
apoio e solidariedade aos moradores. Ele sobrevoou as cidades para
acompanhar de perto os estragos provocados pela chuva.
"O quadro é triste e desesperador", avaliou o vice-governador.
As mortes no Rio acontecem um dia depois das fortes chuvas que deixaram pelo
menos 13 mortos no Estado de São Paulo.
As chuvas no Sudeste já prejudicam a região desde meados de outubro do ano
passado, com alto índice de mortos e feridos, principalmente em dezembro.
Minas Gerais registrou 16 mortes em decorrência das chuvas desde novembro,
enquanto o Espírito Santo divulgou cinco mortes, segundo as Defesas Civis
Estaduais.
(Por Rodrigo Viga Gaier e Pedro Fonseca, com reportagem de Yukari Sekine, em
São Paulo; Texto de Pedro Fonseca; Edição de Maria Pia Palermo)
|
|
|