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Friday, 18/02/11 14:41:58 atualizada em Friday, 18/02/11 14:41:58

Chuvas arrasam região serrana do Rio e deixam mais de 100 mortos

Imagens de TV mostraram ruas tomadas pela água, carros e ônibus submersos, e várias casas soterradas pela lama que desmoronou de encostas em Teresópolis. Segundo o prefeito Jorge Mário, ainda há muitos desaparecidas.

 

Da Rede Almeidense | Com agências


 

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RIO DE JANEIRO (Reuters) - Cidades da região serrana fluminense foram castigadas por fortes chuvas que caíram na noite terça-feira e na quarta, soterrando pessoas dentro de casa e transformando ruas em rios de lama e entulho. Ao menos 114 moradores morreram em três cidades, segundo autoridades locais.

Em Teresópolis, 89 pessoas morreram vítimas da tragédia. Os municípios de Petrópolis e Nova Friburgo também sofreram graves consequência das fortes chuvas, com 18 e 7 mortes já confirmadas, respectivamente, de acordo com as duas prefeituras.

Imagens de TV mostraram ruas tomadas pela água, carros e ônibus submersos, e várias casas soterradas pela lama que desmoronou de encostas em Teresópolis. Segundo o prefeito Jorge Mário, ainda há muitos desaparecidas.

"Esse número (de mortos) vai crescer porque as equipes ainda estão chegando aos locais mais atingidos", disse o prefeito à TV Globo. "É um estado de calamidade, é a maior catástrofe da história do município."

O local mais atingido na cidade foi o bairro do Caleme, região humilde afastada do centro, onde uma represa da Cedae transbordou e provocou o soterramento de várias residências localizadas em encostas, disse uma testemunha à Reuters.

A casa do motorista Antônio Venâncio, de 53 anos, permaneceu de pé, mas foi invadida por água e lama. Ninguém da família ficou ferido, mas moradores vizinhos não tiveram a mesma sorte.

"Eu mesmo passei por seis corpos na minha rua. É uma tragédia enorme, o povo não sabe o que fazer diante de uma coisa horrível dessa", contou por telefone.

Depois da chuva que castigou o município durante toda a noite, o sol apareceu no início da tarde desta quarta, mas todo o comércio do centro permaneceu fechado. O clima na cidade era de luto, de acordo com outra moradora.

"Está tudo fechado, as pessoas não conseguiram chegar para trabalhar. A cidade está completamente abatida e triste com isso que está acontecendo", contou a dona-de-casa Janayna Sofia.

O governador Sérgio Cabral solicitou à Marinha que aeronaves fossem disponibilizadas para deslocamento de tropas e equipamentos para a região, uma vez que a principal estrada de acesso a Teresópolis foi interrompida por diversas quedas de barreiras.

O governo federal prepara medida provisória para liberação de 700 milhões de reais aos municípios atingidos pela chuva.

A forte chuva começou na noite de terça-feira e, de acordo com os bombeiros, choveu nas últimas horas na região serrana o equivalente ao previsto para um mês inteiro.

BOMBEIROS SOTERRADOS

Em Nova Friburgo, um prédio de três andares desabou e matou uma criança, um idoso e um bebê. Uma equipe do Corpo de Bombeiros também foi soterrada quando tentava realizar um salvamento.

"Infelizmente temos três bombeiros entre as vítima. Choveu muito forte e a situação está intensa", disse o comandante geral do Corpo de Bombeiros, Pedro Machado. Há ainda um quarto bombeiro desaparecido.

Muitas pessoas estão ilhadas nas cidades devido ao alto nível das águas que cobriram ruas e avenidas. Vários bairros estão sem luz e telefone.

"A situação aqui em Friburgo é caótica. As pessoas estão sem poder se locomover. Está terrível, o Rio Bengala transbordou e várias pontes desabaram", disse um bombeiro da cidade à Reuters.

O vice-governador, Luiz Fernando Pezão, foi à região serrana para prestar apoio e solidariedade aos moradores. Ele sobrevoou as cidades para acompanhar de perto os estragos provocados pela chuva.

"O quadro é triste e desesperador", avaliou o vice-governador.

As mortes no Rio acontecem um dia depois das fortes chuvas que deixaram pelo menos 13 mortos no Estado de São Paulo.

As chuvas no Sudeste já prejudicam a região desde meados de outubro do ano passado, com alto índice de mortos e feridos, principalmente em dezembro. Minas Gerais registrou 16 mortes em decorrência das chuvas desde novembro, enquanto o Espírito Santo divulgou cinco mortes, segundo as Defesas Civis Estaduais.

(Por Rodrigo Viga Gaier e Pedro Fonseca, com reportagem de Yukari Sekine, em São Paulo; Texto de Pedro Fonseca; Edição de Maria Pia Palermo)
 

 

 

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