SÃO PAULO (Reuters) - A formação de um
consórcio com grupos de private equity está entre as alternativas que a
brasileira JBS estuda para negociar a compra da norte-americana Sara Lee,
com valor estimado em 11 bilhões de dólares, disse à Reuters nesta
terça-feira uma fonte próxima da negociação.
Ao comentar como a JBS financiaria uma transação dessa magnitude, a fonte
afirmou que ainda é prematuro para se ter tal resposta, mas destacou que a
entrada de parceiros no processo para a aquisição poderia interferir
diretamente no montante de recursos que a JBS precisaria levantar.
"É muito cedo para dar qualquer ideia, depende do negócio que for montado,
do percentual que for adquirido, se é oferta plena, se é oferta parcial, se
vai ter algum outro sócio. Existem várias alternativas", declarou a fonte,
que pediu para não ser identificada.
Notícias de que a JBS, maior companhia de proteína animal do mundo, tem
interesse na Sara Lee, que possui algumas das marcas mais conhecidas no
varejo norte-americano, surgiram no final do ano passado.
Nesta semana veio à tona a informação de que grupos de private equity também
querem comprar a companhia norte-americana, que atua em diversos países e é
uma das líderes no varejo de café torrado e moído no Brasil, com as marcas
Café do Ponto e Café Pilão.
Questionada sobre a possibilidade de a JBS integrar um consórcio para compra
da Sara Lee, a fonte respondeu: "Isso pode ser uma alternativa,
evidentemente que eles (grupos de private equity) têm nos procurado, mas não
há nem preferências nem compromissos firmados".
Ainda de acordo com a fonte, a JBS --que não tem comentado oficialmente o
assunto-- pode divulgar novidades sobre a negociação nos próximos dias, uma
vez que os executivos que estiveram nos Estados Unidos para discutir temas
ligados à Sara Lee, entre outros assuntos, estão retornando ao Brasil a
partir de quarta-feira.
A assessoria de imprensa da JBS não quis comentar a informação.
O interesse da JBS está nos negócios de carnes e também de café da Sara Lee,
revelou a fonte, lembrando que as marcas e a estrutura de distribuição da
norte-americana também se encaixariam perfeitamente na estratégica do grupo
brasileiro.
"O que eles estão centrados hoje é carnes e alimentos processados e café.
São dois segmentos... Carnes nos interessa, e café é a oportunidade de uma
empresa brasileira ter uma posição importante em café, que nunca tivemos",
disse a fonte.
O Brasil é o maior produtor e exportador de café, mas suas exportações são
em sua maioria de café verde, de menor valor agregado.
A fonte salientou que, do ponto de vista estratégico, a Sara Lee pode ajudar
a JBS a dar passos mais largos em áreas que têm sido bastante trabalhadas
pela companhia atualmente: marketing, para agregar valor aos produtos, e
logística, para melhorar as margens do negócio.
EMPECILHOS
Além do valor da Sara Lee, considerado muito alto pela JBS no fim de 2010,
há outras questões que dificultam o negócio, disse a fonte.
"Quando há um, dois ou três interessados efetivamente, e que têm cacife pra
fazer um negócio deste tamanho, aparecem três, quatro, cinco ou 10
(interessados), a pedido de acionistas, geralmente os diretores que
receberam ações como bônus, para aumentar o preço da ação."
A JBS, em sua proposta para a Sara Lee, trabalha com um múltiplo da geração
de caixa medido pelo Ebitda. "Se vai além desse múltiplo, começa a ficar
esquisito, o banco não vai te emprestar dinheiro para pagar um absurdo. O
mercado define os parâmetros salutares para uma aquisição", comentou a
fonte.
Questões tributárias, que eventualmente poderiam interferir no interesse de
venda da Sara Lee --se ela for vendida inteira ou em fatias--, também estão
sendo consideradas, mas a fonte não tinha detalhes sobre esse assunto.
Apenas lembrou que esse tema pode não ser fundamental, pois algumas divisões
da Sara Lee já vinham sendo vendidas, como a área de panificação da América
do Norte, vendida para a mexicana Bimbo em novembro.
"A Sara Lee hoje é a metade do que era antigamente. A Sara Lee não é mais
aquela que vendia até cuecas, calcinhas. A Sara Lee tem um departamento de
alimentos processados, sobretudo carnes, e o departamento do café... Isso é
a Sara Lee que está sendo (negociada). As outras empresas eles ou venderam
ou estão em processo de vender."
Por volta das 17h45 (horário de Brasília), as ações da JBS reduziam a alta
para 0,8 por cento, cotadas a 7,06 reais, enquanto o Ibovespa tinha
valorização de 0,4 por cento. Em Nova York, as ações da Sara Lee reduziam
queda para 0,2 por cento, a 18,16 dólares. Quando a Reuters divulgou a
informação, elas cediam 1,5 por cento.
(Com reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal)
(Edição de Aluísio Alves)