
Ex-presidente do Brasil Luiz Inácio
Lula da Silva em visita ao Uruguai,
março de 2011. Aliados do governo no
Senado reclamaram com Lula sobre o
tratamento frio dado pelo Executivo
à base aliada no Congresso.
25/03/2011
REUTERS/Andres Stapff
BRASÍLIA (Reuters) - Descontentes com o
tratamento frio e distante que o
Executivo tem dispensado à base aliada
no Congresso, os líderes de partidos que
apoiam o governo no Senado reclamaram
com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva nesta quarta-feira, em uma reunião
na casa do presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP).
Segundo relato de um senador, que falou
sob condição de anonimato à Reuters, há
muitas reclamações na base por conta da
relação com o Executivo. Ele lembrou que
com Lula era diferente, porque o
ex-presidente costumava promover
jantares ou almoços com as bancadas,
ouvia os problemas e tinha mais
proximidade.
"Com a Dilma já se foram cinco meses e
só tivemos uma reunião do Conselho
Político, mais nada", argumentou o
aliado.
Os senadores reclamaram principalmente
da fraca articulação política do
governo, que dificulta as negociações em
torno da formação do segundo escalão e
dos projetos de interesse do Executivo
no Congresso, contou a fonte.
O líder do governo na Casa, Romero Jucá
(PMDB-RR), minimizou as críticas.
Segundo ele, é "natural" que haja um
período de ajuste administrativo e que
depois a presidente deve se aproximar
mais do Congresso.
Lula, que se reuniu com a presidente na
terça-feira à noite, disse aos aliados
que Dilma já estava pensando numa
relação mais próxima dos congressistas.
Muitos reclamam que não conseguem
audiências com a presidente ou com o
ministro-chefe da Casa Civil, Antonio
Palocci, para encaminhar suas demandas.
Acostumados com Lula, os senadores
reclamam que Dilma não os atende e que
Palocci está muito atarefado sempre.
Segundo a fonte, se o ministro
atravessar a crise política decorrente
de pedidos da oposição para investigar
no Congresso o seu aumento patrimonial,
a presidente deveria distribuir um pouco
as funções que estão sob
responsabilidade do principal membro do
governo. Disse ainda que o ministro das
Relações Institucionais (SRI), Luiz
Sérgio, precisa ganhar mais autonomia
para negociar com o Congresso.
Quando a atual presidente assumiu a
chefia da Casa Civil, a pasta ganhou um
perfil totalmente administrativo,
deixando as atribuições políticas para a
SRI.
"Na verdade, o Palocci ficou
sobrecarregado", admitiu Jucá. O
vice-presidente Michel Temer também
participou do encontro, mas não fez
comentários sobre a articulação política
do governo, segundo relato de senadores.
Na terça-feira, Lula tinha ouvido
declarações semelhantes dos senadores
petistas durante um almoço na casa da
senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR),
segundo relato de assessores que
participaram da reunião. Disseram que
não conseguem ser recebidos pela
presidente e nem por Palocci.
Um ministro, que falou sob a condição de
anonimato, disse à Reuters que o perfil
mais técnico da presidente realmente
dificulta a elaboração de uma agenda
mais política.
(Reportagem de Jeferson Ribeiro)