
Denominado ‘Brasil Maior’,
plano pretende aumentar a competitividade do setor a
partir da inovação e da desoneração
BRASÍLIA - Com o
objetivo de não deixar a crise internacional esfriar
ainda mais a economia brasileira, o governo anunciou
nesta quinta-feira uma série de medidas para estimular
os investimentos e o consumo. Elas envolvem tanto
desonerações fiscais no setor produtivo, como produtos
da linha branca, quanto o mercado financeiro.
"Este ano tivemos alguma desaceleração e estamos dando
uma aquecida na economia, agora que a inflação esta sob
controle, de modo que possamos entrar 2012 com a
economia acelerando, crescimento alto, de 4,5 a 5 por
cento", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em
entrevista coletiva. "Vamos continuar estimulando o
investimento."
Entre as ações tomadas agora, estão a redução de 2 por
cento para zero da alíquota do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) de investimentos estrangeiros em ações
na bolsa, além de cortar de 3 para 2,5 por cento a
alíquota do IOF que incide sobre o crédito a pessoas
físicas.
O governo também está estimulando o setor produtivo com
reduções das alíquotas do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI). Na linha branca, para os fogões,
elas cairão de 4 por cento para zero, enquanto que para
os refrigeradores e congeladores, de 15 para 5 por
cento.
Segundo Mantega, essas medidas valem para estoques que
estão nas lojas até 31 de março.
O setor de alimentos também foi beneficiado, com redução
de Pis/Cofins para as massas de 9,25 por cento para
zero. O benefício vale até o dia 30 de junho de 2012.
Ao todo, a renúncia fiscal ficará de pelo menos 1 bilhão
de reais em 2012 todo.
DE OLHO NA INFLAÇÃO
Apesar dos estímulos, Mantega afirmou que a inflação não
será pressionada e que os juros tenderão a continuar
caindo. Na véspera, o Banco Central (BC) reduziu a Selic
em 0,50 ponto percentual, para 11 por cento ao ano.
Além disso, Mantega afirmou que o governo mantém os
compromissos fiscais assumidos, alertando para os gastos
de consumo do governo.
O mercado recebeu bem as medidas e acredita que elas
ajudarão a estimular a atividade. Mas alerta para
pressões inflacionárias no longo prazo.
"Lógico que vai ter efeito (no crescimento)... Este é o
perigo, o governo se entusiasmar e levar esta questão de
estimular demanda doméstica muito longe", afirmou o
economista-chefe da Raymond James, Mauricio Rosal.
(Reportagem adicional de Luciana Lopes, em São Paulo)