Muitos ainda estão desaparecidos no RJ; críticas aumentam
Cemitérios em Teresópolis estão dominados
pela dor, em meio ao grande número de corpos, e nas áreas mais isoladas os
próprios moradores tiveram que enterrar as vítimas.
|
Da Rede Almeidense | Com agências

REUTERES
|
Texto
[ - ]
[ +
]
|
TERESÓPOLIS (Reuters) - Dezenas de
sobreviventes das enchentes, desesperados por notícias de parentes
desaparecidos, fizeram fila em frente ao necrotério no município de
Teresópolis neste sábado, e críticas à resposta das autoridades para um dos
maiores desastres naturais do país estão aumentando.
Quase quatro dias depois que as chuvas provocaram enchentes e gigantescos
deslizamentos de terra, autoridades da cidade serrana ainda estão lutando
para lidar com a grandeza da catástrofe que matou ao menos 582 pessoas na
região norte do Rio de Janeiro, segundo o mais recente balanço do governo.
Cemitérios em Teresópolis estão dominados pela dor, em meio ao grande número
de corpos, e nas áreas mais isoladas os próprios moradores tiveram que
enterrar as vítimas.
Autoridades do necrotério em Teresópolis, onde o número de mortos chega a
253, estão usando dois caminhões refrigerados --normalmente utilizados para
o transporte de peixes-- para manter dezenas de corpos que ainda não foram
identificados.
Muitos moradores temem que parentes ainda estejam soterrados sob a água,
lama e pedras que abriram um caminho de destruição em alguns vilarejos nos
arredores da cidade, sugerindo que o número de mortos poderia aumentar
consideravelmente. Autoridades não deram estimativas do número de
desaparecidos.
Wemerly Moraes, de 37 anos, estava aguardando sua esposa em frente ao
necrotério na manhã de sábado para identificar um corpo que poderia ser do
filho de dois anos de sua irmã, cujo corpo já foi enterrado.
"Isso ocorreu na manhã de quarta-feira. Quando eu fui lá na quinta-feira,
ainda não havia ninguém trabalhando para encontrar as vítimas", disse o
trabalhador de 37 anos.
Teme-se que cerca de metade das vítimas do desastre sejam crianças, disse a
ONG Save the Children.
O tamanho da destruição se tornou um desafio para a nova presidente Dilma
Rousseff, que decretou luto oficial de três dias a partir de sexta-feira
pelas vítimas dos temporais.
A tragédia expôs grandes falhas no planejamento de emergência e prevenção
contra desastres no país, que busca ser uma nação desenvolvida nos próximos
anos.
Dilma visitou a região na quinta-feira e prometeu um esforço de ajuda
imediata que ainda precisa ser bem-sucedida nas áreas mais atingidas, mas as
críticas têm sido principalmente voltadas às autoridades estatais e
municipais.
O governo federal destinou 780 milhões de reais à ajuda de emergência, e
doações estão chegando de diversas parte do país.
Uma torrente de terra e água varreu a região, principalmente de comunidades
pobres, esmagando casas e matando famílias inteiras enquanto dormiam. Alguns
corpos em Teresópolis foram encontrados alguns quilômetros de distâncias de
suas casas.
Equipes de emergência ainda estão se esforçando para chegar a algumas áreas
e precisam cavar os destroços com as próprias mãos, pois os veículos e
equipamentos pesados não conseguem chegar ao local. Fortes chuvas
dificultaram ainda mais os esforços de resgate.
Jorge Alfonso, um cozinheiro de 42 anos disse que perdeu 14 membros da
família quando um deslizamento de terra arrastou o vilarejo de Campo Grande,
incluindo sua mãe, duas irmãs, um irmão e dois filhos adultos. Por enquanto,
apenas seis dos corpos foram encontrados.
"Não tenho palavras," disse Alfonso, que estava indo e voltando entre o
cemitério, para enterrar seus parentes, e o necrotério, onde tentava
identificá-los desde o desastre.
|
|
|