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Foto de arquivo do vice-presidente Michel Temer em Brasília. 03/11/2010
REUTERS/Ueslei Marcelino
BRASÍLIA (Reuters) - O novo presidente do
PMDB, senador Valdir Raupp (RO), buscou nesta terça-feira afastar os ventos
de crise com o PT por conta da disputa por cargos no governo Dilma Rousseff.
Após encontro com líderes da legenda, ele disse que o partido está
satisfeito com os ministérios que recebeu e viu como "secundária" a
distribuição de espaços no segundo escalão.
"O PMDB tem cinco ministérios, praticamente a mesma cota que tinha com o
presidente Lula. O PMDB está satisfeito e contemplado já com os ministros, e
em questão de segundo e terceiro escalões, os próprios ministros vão tratar
disso", disse Raupp a jornalistas.
Também presente à reunião, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves
(RN), avaliou como positivo o adiamento das nomeações de segundo escalão,
mas sinalizou que o partido pode endurecer com o governo.
"O PMDB adia essa discussão e aguarda um novo momento, mas sempre com a
preocupação de que, na hora que for, haja um amplo diálogo, não só com o
PMDB, mas com toda a base aliada, afinal somos um governo de coalizão",
disse.
O discurso ensaiado de Alves e de Raupp demonstra que durante a reunião
entre caciques peemedebistas, o vice-presidente da República Michel Temer
conseguiu controlar a ânsia dos colegas de partido por novas nomeações.
Temer, que se licenciou da presidência do PMDB entregando-a a Raupp, também
parece ter tranquilizado os peemedebistas em relação à perda de espaço nos
cargos inferiores da administração.
O PMDB já acena, contudo, com uma leve pressão sobre o governo em pautas
consideradas importantes na reabertura do Congresso em fevereiro. Alves
citou, por exemplo, o debate em torno da medida provisória do salário
mínimo.
"Queremos que a área econômica nos convença desse valor", afirmou numa
referência aos 540 reais determinados na semana passada pelo ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Indagado se esse tema tem relação com a disputa por cargos no segundo
escalão, Alves negou. "O que nós temos é uma preocupação legítima com o
país."
Além de Alves, Raupp e Temer, participaram do encontro o presidente do
Senado, José Sarney (AP), o senador Renan Calheiros (AL) e a governadora do
Maranhão, Roseana Sarney.
(Reportagem de Jeferson Ribeiro e Maria Carolina Marcello)