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Carros destruídos pelas chuvas numa rua devastada em Teresópolis. 13/01/2011
REUTERS/Bruno Domingos
TERESÓPOLIS/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O
número de mortos pelas chuvas que devastaram a região serrana do Rio de
Janeiro subiu para 378, e autoridades acreditam que possa ser ainda maior,
pois equipes de resgate não conseguiam chegar nesta quinta-feira a áreas
afetadas após deslizamentos de terra bloquearem acessos.
A cidade mais afetada pela chuva até o momento foi Nova Friburgo, com 168
mortes, seguida por Teresópolis com 161 e Petrópolis com 36, de acordo com
informações de autoridades locais. A prefeitura de Sumidouro informou que ao
menos 13 pessoas também morreram no município. O número de desabrigados e
desalojados passa de 13.500 na região.
Uma autoridade municipal de Teresópolis, que pediu anonimato, informou que
um bairro inteiro da cidade foi soterrado pelo deslizamento de lama e pedras
de uma encosta em consequência das fortes chuvas, que começaram na noite de
terça-feira.
Algumas pessoas que conseguiram se refugiar num campo de futebol foram
resgatadas nesta quinta-feira por helicóptero, mas a prefeitura acredita que
cerca de 150 casas no bairro de Campo Grande ficaram debaixo de terra.
"Pelo número de casas que havia lá, a estimativa de pessoas desaparecidas é
grande. Podem ser até 300 pessoas. Agora não há nem condições de mexer lá,
deve ter 3 metros de terra. Primeiro precisamos resgatar as pessoas que
estão vivas", disse à Reuters a funcionária da prefeitura.
A cena de devastação era constatada em todos os pontos da cidade. Um trecho
da avenida principal, em frente à delegacia, foi fechado e dezenas de corpos
estavam estendidos pela calçada aguardando identificação.
"Os corpos estavam lá, porque no necrotério não havia mais espaço", contou
por telefone à Reuters o morador e motorista de táxi Vinícius Bittencourt.
Segundo ele, uma igreja passou a ser usada para abrigar os mortos.
Uma testemunha da Reuters viu quatro corpos em um condomínio de casas de
luxo destruído no bairro da Posse, próximo a Campo Grande e também um dos
mais atingidos.
Sem ter para onde ir, muitos sobreviventes foram abrigados no principal
ginásio esportivo da cidade. "Houve um estrondo e a metade do meu barraco
caiu. Tentei ir pra casa do vizinho, aí deu um estrondo no morro, eu fiquei
apavorado, e quando vi a barreira me pegou e me jogou a 15 metros de
distância, e ainda caiu uma árvore em cima de mim", disse à Reuters TV o
aposentado Dejair Rosa da Rocha, de 76 anos.
Além das dificuldades de acesso, as chuvas também afetaram as linhas
telefônicas e a rede de energia elétrica em toda a região. Nesta quinta, o
tempo seguia instável, ainda com chuvas.
O vice-governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, que estava em Nova
Friburgo, reconheceu a gravidade da situação e disse que o número de mortos
pode aumentar, pois há muitos desaparecidos ainda.
"A situação está brava e muito difícil. O número de vítimas pode aumentar
ainda mais ", disse à Reuters o vice-governador do Estado, Luiz Fernando
Pezão, que está em Nova Friburgo.
A presidente Dilma Rousseff foi à região serrana do Rio de Janeiro nesta
quinta-feira, na companhia do governador do Estado, Sérgio Cabral, e de
ministros.
Na quarta-feira Dilma assinou medida provisória liberando 780 milhões de
reais para a reconstrução das cidades atingidas. Além disso, o ministro do
Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta quinta que será autorizado o saque de
recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pelos afetados.
(Reportagem de Sérgio Queiroz da Reuters TV em Teresópolis; Rodrigo Viga
Gaier e Pedro Fonseca no Rio de Janeiro; Eduardo Simões em São Paulo)
Continuação