Cerca de 300 pessoas se aglomeravam na
tarde desta sexta-feira diante do prédio onde estão sendo acolhidos os
corpos das vítimas das chuvas em Teresópolis, região serrana do Rio.
O prédio vem sendo usado pelas autoridades, já que o IML local é pequeno e
não comporta os mortos da tragédia, que já passam de 228 pessoas. Com 3 mil
metros quadrados, o local abriga uma loja e um galpão que estava desocupado.
Caminhões frigoríficos estavam estacionados próximo ao galpão, para
armazenar os corpos de vítimas que ainda não foram identificadas.
Entre os parentes e amigos dos desaparecidos, o clima era de extrema
preocupação e desespero. Muitas pessoas choravam. Senhas eram distribuídas
para os que queriam entrar no local para fazer o reconhecimento dos corpos.
O cheiro de decomposição era intenso e se tornava ainda mais forte quando os
portões eram abertos para a entrada dos corpos. Muitas das pessoas usava
máscaras ou roupas e panos no nariz para amenizarem o odor.
Voluntários
Entre as pessoas que estão trabalhando no local, há médicos, enfermeiros,
estudantes de medicina e advogados. Há ainda defensores públicos, que ajudam
a agilizar o processo de registro de óbitos para a liberação dos corpos. A
maioria parte dele é de voluntários.
Policiais civis também reforçam o trabalho, especialmente no controle do
fluxo de pessoas, já que a rua do galpão foi interditada.
Apesar do clima de tristeza, os trabalhos estão andando bem. Não há tumultos
e as pessoas com senhas estão sendo atendidas em poucas horas.
A diarista Sueli de Mello Costa, 35 anos, aguardava havia duas horas pela
chamada de sua senha – e faltavam nove números. Ela e seu irmão estavam em
busca de uma sobrinha que desapareceu na localidade de Poço dos Peixes. O
marido e a avó da jovem morreram na tragédia.
Segundo Sueli, seu irmão morava ao lado da sobrinha e chegou a vê-la pedindo
socorro no momento da enxurrada. Apesar da situação tensa, a diarista disse
não tem do que reclamar dos serviços da equipe de identificação dos corpos.
Desaparecidos
Já a dona de casa Marli Vieira, de 41 anos, procura uma tia que desapareceu
no bairro de Campo Grande. "Meu marido entrou para reconhecer os corpos, mas
não identificou ninguém", diz Marli.
Agora, ela pretende recorrer à Defesa Civil para buscar informações de como
fazer um cadastro.
Na frente do prédio, um grupo de voluntários anotava os dados das pessoas
desaparecidas, justamente para a produção desse cadastro.
Segundo o juiz responsável pelo serviço de identificação, José Ricardo
Ferreira de Aguiar, faltavam ser reconhecidos mais de 120 corpos até tarde a
tarde de sexta-feira.
No caso das pessoas não identificadas, ele explicou que os corpos são
mantidos refrigerados e é colhido material para um exame de DNA.
Depois, se não houver reconhecimento, os corpos são registrados como não
identificados. Em seguida, são sepultados, com a possibilidade de exumação
caso haja pedidos de reconhecimento.
“O tempo (de resfriamento) depende do número de mortos que chegarem. Quanto
maior o número, menor o tempo que os corpos serão mantidos em refrigeração”,
disse o juiz, explicando que se trata de uma questão de saúde pública.