
Johnny Depp chega à estreia do filme "O Turista" em Roma. 15/12/2010
REUTERS/Alessia Pierdomenico/Arquivo
SÃO PAULO (Reuters) - "O Turista" é uma
promissora reunião de talentos e atrações: os astros Angelina Jolie e Johnny
Depp juntos pela primeira vez na tela; três vencedores do Oscar atrás dos
bastidores - o diretor alemão Florian Henckel Von Donnersmarck (melhor filme
estrangeiro em 2007, com "A Vida dos Outros") e os roteiristas Christopher
McQuarrie ("Os Suspeitos") e Julian Fellowes ("Assassinato em Gosford
Park"). Os cenários não poderiam ser mais bonitos - Paris e Veneza. Então,
por que não temos aqui o filme elegante e divertido que prometia ser?
Elegância, a bem da verdade, não falta ao figurino de Elise Clifton-Ward
(Angelina Jolie), uma bela mulher que está sendo atentamente vigiada pela
Scotland Yard em Paris. O motivo - seu ex-amante, Alexander Pearce, que deu
um golpe num banqueiro gângster, Reginald Shaw (Steven Berkoff), e sumiu com
centenas de milhões. Todo mundo quer pegar Pearce e sabe que a bela mulher é
a melhor pista.
Num determinado momento o esquivo ladrão manda notícias - e instrui, por
carta, a amada a pegar um trem para Veneza, procurando iludir seus
inevitáveis perseguidores de que algum homem a bordo é ele, já que seu rosto
é desconhecido da maioria deles. Elise segue as instruções e elege um
desconhecido solitário de ar inocente. Ele é Frank Tupelo (Johnny Depp), um
professor de matemática do Wisconsin, em viagem de férias para curar uma
decepção amorosa.
Qualquer homem do mundo teria que estar cego para ser indiferente ao charme
da longilínea mulher fatal que se senta diante dele e dá todas as dicas de
querer companhia para o jantar. Quem há de resistir?
Deliciosamente engraçado nos vários capítulos de "Piratas do Caribe", Depp
está um tanto contido neste filme. O próprio diretor, aliás, parece pouco à
vontade para lidar com uma trama recheada de espionagem, reviravoltas,
perseguições nos telhados e canais de Veneza. Humor também não parece ser o
seu forte. Caso contrário, seriam mais bem exploradas as ambiguidades da
relação entre a chiquérrima Elise e o tímido Frank - que em mais de um
momento evoca uma situação tipo "A Dama e o Vagabundo".
Os cenários luxuosos - como o seletíssimo hotel Danieli de Veneza -, bem
como o próprio figurino e as jóias de Jolie, assim como a beleza estonteante
da estrela, jogam a favor de encher os olhos do público, quem sabe,
distraindo-o da falta de ritmo da aventura e da ausência de rigor geográfico
de certas sequências (como a que mostra o banqueiro desembarcando
diretamente do aeroporto veneziano Marco Polo no canal Grande, que fica a
cerca de uma hora de barco dali).
Nem a presença de um ex-007, o galês Timothy Dalton - aqui interpretando um
contido inspetor-chefe da Scotland Yard - ou o carisma habitual do britânico
Paul Bettany ("Criação") - na pele de outro inspetor perdendo a compostura
por ciúme da bela Elise - seguram muita coisa. A grande surpresa final se
revelará não ser tão grande assim, apenas inevitável. E o cinema fica à
espera de um melhor encontro entre Jolie e Depp. Desta vez, não valeu.
(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)
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