
Vin Diesel (esq), Elsa Pataky e Paul Walker (dir)na
estreia de "Velozes e Furiosos 5" em Marselha, na França. 28/04/2011
REUTERS/Jean-Paul Pelissier
SÃO PAULO (Reuters) - Mesmo cercado, o
criminoso Dominic Toretto (Vin Diesel) explica para o seu captor americano
que não se entregará: "Porque aqui é o Rio (de Janeiro)". A cena, que é
acompanhada por gangues empunhando armas e a fuga do policial, pode ser uma
síntese do que o espectador irá encontrar numa sessão de "Velozes e Furiosos
5 - Operação Rio".
Embora incomode a imagem de que cariocas andem por aí armados, prontos para
um tiroteio, a cena concentra tudo o que se pode esperar de produções do
gênero: diálogos simples, tensão permanente, violência explícita e
virilidade robótica dos protagonistas.
Tudo sob medida para um tipo público masculino jovem, fissurado em filmes de
ação e carrões velozes.
Público fiel, aliás, que lotou as salas de cinema americanas que exibiram o
filme, dando a ele um faturamento de 83,6 milhões de dólares só no primeiro
fim de semana, fazendo desta sequência não só a mais rentável da franquia,
mas a melhor estreia do ano nos EUA, batendo a animação "Rio" (do brasileiro
Carlos Saldanha), então em primeiro lugar.
Com um orçamento de cerca de 125 milhões de dólares, o filme também deu novo
fôlego ao seu distribuidor, Universal Pictures, e à indústria
cinematográfica em geral, que vê seu faturamento diminuir ano a ano.
Para os que acompanharam os filmes anteriores, um agrado dos roteiristas
Chris Morgan e Gary Scott Thompson foi o de reunir os personagens da série e
respeitar a narrativa histórica.
Assim, esta produção tem início com a fuga de Dominic (Diesel), preso na
última sequência, armada por sua irmã Mia (Jordana Brewster) e Brian (Paul
Walker), agora, ex-policial e fugitivo.
Em busca de um antigo parceiro de trambiques, Vince (Matt Schulze), o trio
viaja ao Rio de Janeiro, onde consegue um trabalho para roubar carros de um
trem. O negócio dá errado e eles passam a ser inimigos do chefe do crime
carioca, Reyes (o ator português Joaquim de Almeida, de "O Xangô de Baker
Street"), tão caricato quanto os policiais corruptos ao seu lado.
A situação se complica quando o governo norte-americano envia uma equipe de
soldados de elite para buscar os criminosos, liderada pelo truculento Hobbs
(Dwayne Johnson, de "Escorpião Rei").
Dominic, Mia e Brian chamam então seus antigos colegas Roman (Tyrese
Gibson), Tej (Ludacris), Han (Sung Kang), Leo (Tego Calderon) e Gisele (Gal
Gadot) --todos participantes de outros filmes da franquia-- para roubar a
fortuna de Reyes e escapar de Hobbs. Algo inspirado em "Onze Homens e um
Segredo".
Dirigido por Justin Lin, "Operação Rio" não se preocupa em mostrar as
belezas naturais da cidade ou de seu povo. Além de dispensar atores
brasileiros no elenco, nem mesmo tem o cuidado de que os personagens falem
realmente português.
Em algumas cenas, o sotaque estrangeiro é tão carregado que mal se entende o
que se diz. Mas os únicos que notarão este problema serão os espectadores
das poucas cópias legendadas --a grande maioria é mesmo dublada.
Há quem possa reclamar também de que a produção reflete uma imagem negativa
do Rio de Janeiro, o que não seria um erro. Mas o que importa aqui é:
velocidade, testosterona e o desfile de carros.
Veracidade e lógica narrativa seriam um luxo neste caso. Basta ver que a
cena mais aguardada é a luta, "na mão", entre os atores de ação Dwayne
Johnson e Vin Diesel.
No entanto, para um filme que se apoia na corrida de carros, é preciso dizer
que elas estão em falta durante a projeção.
Com exceção da perseguição final, os famosos "rachas" não estão lá. No meio
da história, um deles é cortado tão friamente que parece defeito do
exibidor. Isso indica uma falta de identidade, bem como que a série irá por
outro caminho, já que, como anunciado depois dos créditos finais, ainda há
muita fúria pela frente.
(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb