SÃO PAULO (Reuters) - As exportações
brasileiras de carne bovina somaram 689,5 mil toneladas no acumulado de
janeiro a setembro deste ano, volume 21 por cento menor que em igual
período de 2010, afetadas por restrições em alguns mercados importantes,
aumento de custos e a turbulência nos países árabes.
Apesar disso, as indústrias exportadoras no Brasil conseguiram manter
praticamente estável o faturamento com as vendas externas, que atingiu
3,56 bilhões de dólares no período, ante 3,42 bilhões de dólares de
janeiro a setembro do ano passado, mostraram dados da Abiec, entidade
que reúne as empresas exportadoras de carne bovina.
A estabilização da receita veio com o forte aumento de 30 por cento do
preço médio da tonelada da carne neste ano, para 5,1 mil dólares, ante
3,9 mil dólares na média de janeiro a setembro do ano passado.
O Brasil ainda sofre com restrições impostas por mercados importantes
como Rússia e União Européia.
Os russos retiraram várias unidades de processamento do Brasil da lista
habilitada a vender ao país, após terem implementado novas exigências
sobre o produto que compram.
Em setembro, no entanto, houve uma recuperação das compras russas, já
que importadores no país se antecipam ao período de congelamento dos
portos no final do ano.
O país foi o maior comprador da carne bovina brasileira no mês passado,
com 20,2 mil toneladas, ante 12,1 mil toneladas em agosto e 24,1 mil
toneladas em setembro de 2010.
A Abiec ainda acredita em um retorno de bons volumes para mercado russo.
"Se o Brasil tivesse pendências significativas, a Rússia não teria
enviado comunicado dizendo que fará visita no final de outubro, início
de novembro", afirmou o presidente-executivo da Abiec, Antonio
Camardelli.
"Não sabemos ainda que tipo de checagem será feita, mas o Brasil está
pronto", afirmou, acrescentando que as unidades de processamento fizeram
trabalhos para buscar adequação a todas as normas requisitadas pela
Rússia.
DÓLAR
O executivo afirmou que a valorização do dólar no Brasil poderá reduzir
um pouco o problema da elevação do custo de produção brasileiro, que fez
com que o país perdesse mercados no exterior mesmo para regiões de
produção tradicionalmente cara, como a Europa.
"Com dólar mais alto, o setor volta a ganhar alguma competitividade,
como qualquer exportador, mas isso não vem de imediato."
A eventual estabilização nos países árabes, após as turbulências
políticas recentes, também poderá colaborar para melhores volumes de
vendas externas no futuro, afirmou.
A Abiec espera que o setor feche o ano com uma queda de 15 por cento em
volumes e uma elevação de 20 por cento na receita.
(Reportagem de Marcelo Teixeira)
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