
Presidente Dilma Rousseff espera o início da cúpula UE-Brasil na
sede do Conselho Europeu em Bruxelas. 04/10/2011
REUTERS/Yves Herman
BRUXELAS (Reuters) - Brasil e União
Europeia precisam adotar uma ação coordenada para acalmar mercados
temerosos com o contágio global resultante da crise da dívida da Europa,
disseram a presidente Dilma Rousseff e líderes do bloco nesta
terça-feira.
"É fundamental a coordenação política entre os países para fazer face a
esse momento internacional", disse Dilma a jornalistas após reunião com
autoridades do Conselho da União Europeia e a Comissão Europeia.
"A ausência de regulação eficaz no sistema financeiro está na origem de
todo esse processo", disse ela.
A incapacidade da UE para encontrar uma resposta conjunta rápida para a
crise da dívida está aumentando os temores de recessão.
Os líderes da UE, que se encontrarão no final deste mês, e uma reunião
de líderes do G20 no mês que vem, terão que corrigir esta imagem, disse
o presidente da UE, Herman Van Rompuy.
"Uma ação forte e coordenada será necessária para evitar que a economia
global caia em recessão. A UE e o Brasil irão cooperar estreitamente
para evitar que isso aconteça na cúpula do G20 em Cannes", disse Van
Rompuy.
Dilma advertiu contra "ajustes
fiscais recessivos". Ela disse que medidas restritivas fiscais apenas
aprofundaram a estagnação durante os problemas de dívida do Brasil e da
América Latina há 30 anos.
"Nós só seremos capazes de sair da crise através do estímulo ao
crescimento econômico", disse ela.
A UE é o maior parceiro comercial do Brasil, e os investimentos da UE no
Brasil respondem por mais do que os investimentos combinados do bloco na
China, Índia e Rússia, os outros países do Bric, de acordo com dados da
UE.
A economia do Brasil cresceu 7,5 por cento no ano passado, seu ritmo
mais rápido em 24 anos. As economias do Bric têm 4,3 trilhões de dólares
em reservas em dinheiro vivo, três quartos do valor em posse da China.
Líderes políticos e empresariais da UE e do Brasil se reuniram na
terça-feira para reforçar as relações no comércio, investimento e
energia. No entanto, as negociações para um pacto de livre comércio
entre a UE e o Mercosul, liderados por Brasil e Argentina, permanecem
num impasse.
(Reportagem de Juliane von Reppert-Bismarck)
Proximo artigo
Saiba mais sobre o G20