
Membros de sindicato comunista grego PAME bloqueiam a entrada do
ministério do Trabalho em Atenas. 04/10/2011
REUTERS/John Kolesidis
ATENAS (Reuters) - Trabalhadores do
setor público da Grécia bloquearam o acesso a diversos ministérios nesta
terça-feira para protestar contra medidas de austeridade, atrapalhando
as negociações de inspetores da União Europeia e do Fundo Monetário
Internacional sobre uma nova parcela da ajuda financeira ao país.
O governo do Partido Socialista, que chegou ao poder há dois anos com a
promessa de ajudar os pobres e taxar os ricos, está enfrentando pressão
crescente de eleitores prejudicados por uma série de aumentos de
impostos e cortes de salários definidos para conter a crise de dívida.
Atenas admitiu no domingo que não vai cumprir a meta de déficit de 2011
apesar das duras medidas de austeridade e aprovou planos impopulares de
colocar dezenas de milhares de trabalhadores do setor público em um
regime especial de emprego antes de uma possível demissão por excesso de
pessoal.
"Há uma turbulência muito grande e uma irritação muito profunda na
sociedade", disse o secretário-geral do sindicato do setor público ADEDY,
Ilias Iliopoulos, à Reuters, enquanto participava dos protestos, que
bloquearam a entrada de diversos prédios, incluindo o Ministério das
Finanças.
"Os protestos de hoje principalmente têm a ver com o regime especial de
emprego e as demissões. Mas há também o novo orçamento, que traz novas
medidas contra o povo", afirmou ele, um dia antes da greve de 24 horas
do sindicato do setor público e trabalhadores de serviços estatais.
Temores de um default na dívida derrubaram a bolsa de Atenas para o
menor nível em 18 anos nesta terça-feira, com as ações de bancos gregos
despencando ao menos 8 por cento. O euro atingiu a mínima em nove meses
frente ao dólar e a menor cotação em 10 anos ante o iene.
Manifestantes também bloquearam o acesso a outros prédios públicos, como
os ministérios do Trabalho, Agricultura, Cultura e Desenvolvimento,
disse um policial. Eles fizeram o mesmo na quinta e sexta-feira, quando
a inspeção da UE e do FMI às finanças gregas começou.
Cerca de 20 manifestantes do sindicato PAME, afiliado ao comunismo,
ocuparam brevemente o escritório do ministro do Trabalho.
Na quarta-feira, aviões e trens serão interrompidos, escolas serão
fechadas e hospitais terão equipe limitada por conta da greve dos
trabalhadores em protesto contra a austeridade.
Ministros das Finanças da zona do euro concordaram na segunda-feira que
a Grécia tem condições de esperar até meados de novembro, ao invés de
meados de outubro, para receitar a próxima parcela de 8 bilhões de euros
de seu programa de ajuda. Isso dá mais tempo aos inspetores da UE, FMI e
Banco Central Europeu, conhecidos como troika, para colocar pressão
sobre Atenas para realizar reformas.
(Reportagem de Angeliki Koutantou)
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