
Foto de divulgação de um dos ganhadores do prêmio Nobel de Física
Saul Perlmutter.
REUTERS/Roy Kaltschmidt-Cortesia do Lawrence Berkeley National
Laboratory/Divulgação
ESTOCOLMO (Reuters) - Três cientistas
vão dividir o Prêmio Nobel de Física de 2011 pela surpreendente
descoberta de que o universo está se expandindo cada vez mais rápido e
pode um dia congelar, anunciou o comitê do prêmio nesta terça-feira.
Os cientistas já sabem desde a década de 1920 que o universo está em
expansão, como resultado do Big Bang (explosão primordial ocorrida há
cerca de 14 bilhões de anos), mas a descoberta da aceleração desse
processo -- enquanto muitos imaginavam o contrário -- sacudiu a
comunidade científica.
"Se a expansão continuar a se acelerar, o universo vai acabar em gelo",
disse o comitê do Nobel em nota.
Metade do prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares)
irá para o norte-americano Saul Perlmutter. A outra metade será dividida
entre outros dois cientistas dos EUA: Brian Schmidt, que é radicado na
Austrália, e Adam Riess.
"Acabamos contando ao mundo que temos esse resultado maluco, que o
universo está se acelerando", disse Schmidt em entrevista coletiva
telefônica depois do anúncio do prêmio em Estocolmo. "Parecia maluco
demais para ser correto, e acho que ficamos um pouco assustados."
O Comitê do Nobel de Física da Real Academia Sueca de Ciências disse em
seu comunicado que a descoberta foi feita pela observação de explosões
em estrelas distantes. Sua luz, em vez de ficar mais brilhante, se
atenuava.
"A surpreendente conclusão foi de que a aceleração do universo não está
se desacelerando. Pelo contrário, está se acelerando", disse o comitê.
A aceleração supostamente é provocada pela energia escura, embora os
cosmologistas tenham pouca ideia do que isso seja.
Eles estimam que a energia escura -- uma espécie de gravidade às
avessas, repelindo a matéria que dela se aproxima -- responde por cerca
de três quartos do universo.
(Reportagem de Patrick Lannin, Mia Shanley e Anna Ringstrom em
Estocolmo; e Ben Hirschler e Alastair Macdonald em Londres)
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