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sexta-feira, 05/02/10 12:53:08 Atualizada em:sexta-feira, 05/02/10 12:53:08

Em busca de mais voz a emergentes, Brasil quer consolidar Bric

"Eles (países do Bric) podem coordenar suas posições que são próximas para fazer valer essas posições no âmbito financeiro internacional", acrescentou.
 

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BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil defenderá na próxima cúpula do Bric o fortalecimento institucional do bloco de emergentes formado também por Rússia, Índia e China, como forma de dar mais voz aos países em desenvolvimento no sistema internacional. O país ressalva, entretanto, que o grupo não foi criado para gerar confronto com outras nações.

A próxima cúpula do Bric, com a presença dos presidentes, será realizada em 16 de abril, em Brasília, um dia depois de uma reunião entre os líderes de Índia, Brasil e África do Sul (Ibas). O embaixador Roberto Jaguaribe, subsecretário-geral político do Itamaraty, visitou África do Sul, Índia e China e agora está na Rússia para preparar os encontros.

"O Bric existe não para confrontar ninguém ou criar conflitos. Esse certamente não é o caso, mas, de certa forma, ele se consolida porque há uma demanda dos países membros de uma governança mais equilibrada, de participação maior", disse Jaguaribe à Reuters por telefone, de Moscou.

O embaixador ressaltou que a cúpula dos países do Bric não tem como objetivo criar um antagonismo com outros grupos, mas consolidar um fórum de coordenação e troca de ideias entre quatro países que "não têm tido o espaço adequado para veicular as suas propostas e posições".

"Eles (países do Bric) podem coordenar suas posições que são próximas para fazer valer essas posições no âmbito financeiro internacional", acrescentou.

Citando o aumento de capital que os quatro países fizeram no Fundo Monetário Internacional (FMI), o diplomata lembrou que a posição dos países já vem ganhando relevância internacional.

"A verdade é que, com as mudanças que já foram efetuadas nas instituições financeiras internacionais, a participação dos Bric passou a ser fundamental. Eles passaram a ter capacidade para, inclusive, impedir certas coisas de irem adiante", frisou.

Para ele, a área financeira é o principal campo de atuação do grupo, sigla que nasceu e ganhou fama no mercado antes de ganhar contornos políticos. Não à toa os ministros da Economia dos quatro países têm mantido encontros à margem de reuniões do FMI, G20 e outros fóruns multilaterais.

Jaguaribe destacou também que já há conversas para diversificar as áreas de cooperação. "Há interesses em expandir a cooperação nas áreas de energia, ciência e tecnologia e agricultura. Os Bric têm uma proposta de compartilhar experiências de desenvolvimento, já têm a proposta de ter reuniões de ministros de Energia e de Agricultura."

TEMAS DO ENCONTRO

Entre os temas tratados pelo subsecretário em sua missão e que devem constar da agenda da cúpula, destacam-se a crise financeira global, a normatização do sistema financeiro com regras mais transparentes, de maior confiabilidade e previsibilidade e mudanças nas instituições financeiras internacionais com vistas a dar mais voz aos países emergentes.

O combate ao aquecimento global e outras questões políticas também devem estar na pauta do encontro, complementou.

O desafio dos líderes que se reunirão em Brasília, no entanto, será produzir um grupo mais coeso e propositivo do que o visto na primeira cúpula do Bric, realizada na cidade russa de Ecaterimburgo, em junho passado.

"O agrupamento em si é uma coisa ainda muito preliminar. Ainda não foi feito uma consolidação do grupo do ponto de vista institucional", comentou Jaguaribe. "Mesmo a periodicidade das cúpulas não está acertada."
L

 

 

 

 

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