Friday, 18/02/11 14:51:24 Atualizada em:Friday, 18/02/11 14:51:24
Hillary não
consegue apoio do Brasil contra o Irãn
"Essa é minha opinião, essa é a opinião
do nosso governo: quando a comunidade
internacional falar de forma única sobre
uma resolução, então os iranianos vão
começar a negociar."
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BRASÍLIA (Reuters) - A secretária de
Estado norte-americana, Hillary Clinton,
não conseguiu obter apoio brasileiro a
novas sanções contra o Irã durante
visita nesta quarta-feira a Brasília.
Apesar da posição firma da secretária,
que disse acreditar que a República
Islâmica só vai negociar após receber
sanções, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva afirmou antes mesmo de se
reunir com Hillary que "não é prudente
encostar o Irã na parede".
O Brasil atualmente ocupa uma vaga
rotativa no Conselho de Segurança da
Organização das Nações Unidas (ONU), e
diplomatas norte-americanos têm tentado
convencer os integrantes desse grupo a
aprovarem novas sanções contra o Irã
devido à recusa do país em abandonar seu
programa de enriquecimento de urânio.
As atenções estão voltadas
principalmente para China e Rússia, que
têm poder de veto sobre resoluções do
Conselho, mas os Estados Unidos também
gostariam de convencer membros não
permanentes importantes, como Brasil e
Turquia, para apresentar uma frente
unida no impasse nuclear contra o Irã.
"Só depois que tivermos aprovado sanções
no Conselho de Segurança o Irã irá
negociar de boa fé", disse Hillary em
entrevista coletiva.
"Essa é minha opinião, essa é a opinião
do nosso governo: quando a comunidade
internacional falar de forma única sobre
uma resolução, então os iranianos vão
começar a negociar."
ESBOÇO DE NOVAS SANÇÕES
Diplomatas em Nova York disseram à
Reuters nesta semana que as potências
Ocidentais prepararam o esboço de uma
proposta revisada para uma quarta rodada
de sanções contra o Irã por desafiar o
pedido da ONU para que interrompa o
enriquecimento de urânio.
Eles disseram que o esboço foi enviado
pelos Estados Unidos à Grã-Bretanha,
França, Alemanha, Rússia e China,
acrescentando que esses países esperavam
manter em breve uma teleconferência,
possivelmente nesta semana, para obter o
aval de Rússia e China.
Se as potências conquistarem o apoio
russo e chinês, as negociações sobre a
primeira resolução de sanções da ONU em
dois anos poderia entrar em vigor
imediatamente.
A reação inicial dos russos foi
negativa, disseram diplomatas, enquanto
a China deixa os Estados Unidos e as
autoridades europeias na expectativa.
O chanceler Celso Amorim reiterou que o
Brasil vê margem para mais dois ou três
meses de negociações com o Irã.
"Nós acreditamos que ainda há
oportunidade de se chegar a um acordo,
talvez exija um pouco de flexibilidade
de parte a parte", disse ele.
"Não se trata de se curvar simplesmente
a uma opinião que possa não concordar.
Nós não podemos simplesmente ser
levados. Nós temos de pensar com a nossa
cabeça."
Hillary manifestou frustração com a
posição do Brasil, e disse que as
negociações com o Irã já haviam se
mostrado infrutíferas. "A porta está
aberta para as negociações, nunca a
fechamos. Mas não vemos ninguém nem a
longa distância caminhando em direção a
elas", afirmou a secretária.
Ela exortou países a serem cautelosos
com as garantias do Irã de que suas
intenções são pacíficas.
"Temos visto um Irã que fala com o
Brasil, um Irã que fala com a Turquia e
um Irã que fala com a China, e para cada
um conta coisas diferentes a fim de
evitar sanções internacionais", ela
disse.
Uma autoridade norte-americana, falando
a repórteres a bordo do avião de
Hillary, disse que os brasileiros teriam
dito à secretária de Estado que a
posição do Brasil não estava fechada e
que ambos os países continuariam
dialogando.
A autoridade disse ainda que se a viagem
de Lula a Teerã, programada para maio,
acontecer depois que o Conselho de
Segurança votar as sanções, isso poderia
"tomar um novo rumo", sugerindo que o
presidente brasileiro teria condições de
atuar como um intermediário para
convencer o Irã a voltar à mesa de
negociações.
FINS PACÍFICOS
Lula, que recebeu no ano passado em
Brasília o presidente do Irã, Mahmoud
Ahmadinejad, tem alertado repetidamente
contra a iniciativa de EUA, França,
Grã-Bretanha e Alemanha para aprovar a
quarta rodada de sanções ao Irã.
Esses países temem que a República
Islâmica esteja desenvolvendo armas
nucleares, mas Teerã afirma que sua
intenção é totalmente pacífica, voltada
para a geração de energia e a pesquisa.
Lula afirmou a jornalistas que o Brasil
apoia o programa nuclear iraniano desde
que seja respeitado esse limite. "Se o
Irã quiser ir além disso, o Irã irá
contra aquilo que está previsto na
Constituição brasileira e não podemos
concordar", disse Lula.
Ele acrescentou que pretendia manter uma
"conversa muito franca" sobre o assunto
com Ahmadinejad em maio.
Também nesta quarta-feira, os Estados
Unidos e a União Europeia elevaram o tom
da sua retórica, acusando o Irã de
adotar uma atitude "provocativa" ao
elevar o grau do enriquecimento de seu
urânio sem esperar a presença de
inspetores internacionais.
Em uma tensa reunião a portas fechadas
na sede da Agência Internacional de
Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU),
em Viena, o representante chinês
reiterou que Pequim ainda acha que não é
hora de novas sanções, segundo relato de
um diplomata presente.
Paralelamente nesta quarta, o chefe do
Estado-Maior dos Estados Unidos,
almirante Mark Mullen, disse que havia
"preocupações crescentes" com as
ambições nucleares do Irã no Oriente
Médio, mas sugeriu que qualquer ação
militar "não era o caminho preferido
neste momento".
(Reportagem adicional de Louis
Charbonneau, nas Nações Unidas, e de
Phil Stewart e Adam Entous, em
Washington)
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