Gripe suína

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Friday, 18/02/11 14:51:55 Atualizada em:Friday, 18/02/11 14:51:55

Começa na segunda-feira vacinação contra a gripe suína

A dose, esperada desde que o vírus chegou ao país em abril de 2009, será aplicada até 21 de maio em grupos prioritários, que foram os mais afetados pelo influenza A (H1N1). Serão 91 milhões de brasileiros imunizados em quatro etapas.

 

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Passado quase um ano do medo das tosses e espirros, o brasileiro, que chegou a mudar hábitos, enfrentar recesso escolar e até deixar de lado muitos programas de lazer, tem a partir de segunda-feira um escudo poderoso capaz de protegê-lo de entrar na estatística de mortes causadas pelo vírus H1N1: a vacina da gripe suína – doença que deixou traumas, matando nada menos que 1,7 mil brasileiros ano passado.

 

A dose, esperada desde que o vírus chegou ao país em abril de 2009, será aplicada até 21 de maio em grupos prioritários, que foram os mais afetados pelo influenza A (H1N1). Serão 91 milhões de brasileiros imunizados em quatro etapas.

 

Na segunda-feira, será iniciada a primeira delas, que termina no dia 19. Nesta fase, serão imunizados somente aqueles que trabalham nos setores de saúde e têm contato com o público, além da população indígena. Depois, em 22 de março, é a vez das gestantes e doentes crônicos se prevenirem.

A proteção para quem for tomar a dose é de 75% para não ter a gripe e 90% para que não desenvolva formas graves da doença. Quem se imuniza corre o risco de contrair o vírus, no entanto, de forma mais branda.

 

Em Minas Gerais, cerca de 9,3 milhões de pessoas devem ser protegidas. Na primeira fase, a expectativa é de que 200 mil trabalhadores de saúde sejam imunizados. As injeções serão aplicadas nas unidades básicas de saúde de cada município.

 

 Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) pretende vacinar 1,2 milhão de moradores, sendo que amanhã será a vez dos 24.526 trabalhadores da área de saúde, das redes pública e privada, entre eles médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, porteiros e profissionais de limpeza, que receberão a dose em seus locais de trabalho. A escala de imunização será a mesma definida pelo Ministério da Saúde.

A vacinação será feita nos 147 centros de saúde de Belo Horizonte e nos postos volantes que serão instalados na Câmara Municipal, Mercado Central, Psiu da Praça Sete, Praça da Liberdade e na rodoviária. O horário será o mesmo de funcionamento dos postos, das 8h às 17h.

 

Os portadores de doenças crônicas menores de 60 anos e que estão acamados devem se cadastrar, até dia 12, para receber atendimento em casa. Para os maiores de 60 anos, o cadastro será feito de 5 a 16 de abril. Agendamento e mais informações pelo número (31) 3277-7722.

Na primeira onda da gripe no país, no ano passado, 145 mineiros morreram em apenas seis meses. Este ano, duas vidas já foram perdidas por causa do H1N1 no estado. Diante dos traumas que ficaram com a chegada da nova gripe em 2009, não é de estranhar que até mesmo a proteção contra esse mal silencioso traga uma série de perguntas que precisam de respostas .

 

 “A vacina nada mais é do que o vírus do H1N1 ‘morto’ e em pedaços”, esclarece o médico da Coordenação de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde (SES), José Geraldo Leite Ribeiro. De acordo com ele, assim como qualquer outra imunização, a proteção não é de 100%, mas é uma picada que precisa ser tomada por aqueles grupos que foram alvo do vírus no ano passado.

 

“É a melhor forma que temos para nos proteger”, avisa. São no máximo 14 dias para que a dose faça efeito no organismo e a aposta é de que, como se trata de uma gripe, a validade da vacina seja de um ano, pois mutações do vírus podem ocorrer.

Desafio

O grande desafio desta campanha de vacinação está na boa-fé da população. As 113 milhões de doses que o governo federal adquiriu são para vacinar aqueles que estão no grupo de riscos, como os jovens adultos, crianças de 2 anos, gestantes e outros. No entanto, o único documento obrigatório para tomar a injeção é a carteira de identidade.

 

“Aqueles com doenças crônicas, por exemplo, não vão precisar levar nenhum comprovante de doença. Os profissionais de saúde terão que acreditar na palavra de quem procurou o posto.

 

 

E esse será o desafio, porque, caso ocorra como nos Estados Unidos, onde mulheres fingiram estar grávidas para se imunizar, isso pode comprometer a quantidade das doses disponíveis. Por isso, pedimos o bom senso de todos”, ressalta o médico José Geraldo.

Com receio de que a população cometa tal ato, de acordo com ele, a SES chegou a propor que um relatório médico fosse feito para os pacientes com doenças crônicas e que o documento fosse entregue no momento da vacinação. Mas o Ministério da Saúde não aceitou a proposta e preferiu acreditar na boa-fé dos brasileiros.