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Passado quase um ano do medo das tosses
e espirros, o brasileiro, que chegou a
mudar hábitos, enfrentar recesso escolar
e até deixar de lado muitos programas de
lazer, tem a partir de segunda-feira um
escudo poderoso capaz de protegê-lo de
entrar na estatística de mortes causadas
pelo vírus H1N1: a vacina da gripe suína
– doença que deixou traumas, matando
nada menos que 1,7 mil brasileiros ano
passado.
A dose, esperada desde que o vírus
chegou ao país em abril de 2009, será
aplicada até 21 de maio em grupos
prioritários, que foram os mais afetados
pelo influenza A (H1N1). Serão 91
milhões de brasileiros imunizados em
quatro etapas.
Na segunda-feira, será iniciada a
primeira delas, que termina no dia 19.
Nesta fase, serão imunizados somente
aqueles que trabalham nos setores de
saúde e têm contato com o público, além
da população indígena. Depois, em 22 de
março, é a vez das gestantes e doentes
crônicos se prevenirem.
A proteção para quem for tomar a dose é
de 75% para não ter a gripe e 90% para
que não desenvolva formas graves da
doença. Quem se imuniza corre o risco de
contrair o vírus, no entanto, de forma
mais branda.
Em Minas Gerais, cerca de 9,3 milhões de
pessoas devem ser protegidas. Na
primeira fase, a expectativa é de que
200 mil trabalhadores de saúde sejam
imunizados. As injeções serão aplicadas
nas unidades básicas de saúde de cada
município.
Na capital, a Secretaria Municipal
de Saúde (SMSA) pretende vacinar 1,2
milhão de moradores, sendo que amanhã
será a vez dos 24.526 trabalhadores da
área de saúde, das redes pública e
privada, entre eles médicos,
enfermeiros, auxiliares de enfermagem,
porteiros e profissionais de limpeza,
que receberão a dose em seus locais de
trabalho. A escala de imunização será a
mesma definida pelo Ministério da Saúde.
A vacinação será feita nos 147 centros
de saúde de Belo Horizonte e nos postos
volantes que serão instalados na Câmara
Municipal, Mercado Central, Psiu da
Praça Sete, Praça da Liberdade e na
rodoviária. O horário será o mesmo de
funcionamento dos postos, das 8h às 17h.
Os portadores de doenças crônicas
menores de 60 anos e que estão acamados
devem se cadastrar, até dia 12, para
receber atendimento em casa. Para os
maiores de 60 anos, o cadastro será
feito de 5 a 16 de abril. Agendamento e
mais informações pelo número (31)
3277-7722.
Na primeira onda da gripe no país, no
ano passado, 145 mineiros morreram em
apenas seis meses. Este ano, duas vidas
já foram perdidas por causa do H1N1 no
estado. Diante dos traumas que ficaram
com a chegada da nova gripe em 2009, não
é de estranhar que até mesmo a proteção
contra esse mal silencioso traga uma
série de perguntas que precisam de
respostas .
“A vacina nada mais é do que o
vírus do H1N1 ‘morto’ e em pedaços”,
esclarece o médico da Coordenação de
Imunização da Secretaria de Estado de
Saúde (SES), José Geraldo Leite Ribeiro.
De acordo com ele, assim como qualquer
outra imunização, a proteção não é de
100%, mas é uma picada que precisa ser
tomada por aqueles grupos que foram alvo
do vírus no ano passado.
“É a melhor forma que temos para nos
proteger”, avisa. São no máximo 14 dias
para que a dose faça efeito no organismo
e a aposta é de que, como se trata de
uma gripe, a validade da vacina seja de
um ano, pois mutações do vírus podem
ocorrer.
Desafio
O grande desafio desta campanha de
vacinação está na boa-fé da população.
As 113 milhões de doses que o governo
federal adquiriu são para vacinar
aqueles que estão no grupo de riscos,
como os jovens adultos, crianças de 2
anos, gestantes e outros. No entanto, o
único documento obrigatório para tomar a
injeção é a carteira de identidade.
“Aqueles com doenças crônicas, por
exemplo, não vão precisar levar nenhum
comprovante de doença. Os profissionais
de saúde terão que acreditar na palavra
de quem procurou o posto.
E esse será o desafio, porque, caso
ocorra como nos Estados Unidos, onde
mulheres fingiram estar grávidas para se
imunizar, isso pode comprometer a
quantidade das doses disponíveis. Por
isso, pedimos o bom senso de todos”,
ressalta o médico José Geraldo.
Com receio de que a população cometa tal
ato, de acordo com ele, a SES chegou a
propor que um relatório médico fosse
feito para os pacientes com doenças
crônicas e que o documento fosse
entregue no momento da vacinação. Mas o
Ministério da Saúde não aceitou a
proposta e preferiu acreditar na boa-fé
dos brasileiros.