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SÃO BERNARDO DO CAMPO (Reuters) - O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de
64 anos, permaneceu durante toda a tarde
desta quinta-feira em seu apartamento
pessoal, após a crise de hipertensão da
véspera, em que chegou a ser internado e
recebeu medicamentos durante a noite em
um hospital de Recife (PE), onde cumpriu
forte agenda.
O presidente cancelou todos os
compromissos até segunda-feira.
Na chegada ao aeroporto de Congonhas, em
São Paulo, por volta das 11h, Lula se
encontrou com seu médico pessoal, o
cardiologista Roberto Kalil, que
confirmou o diagnóstico e disse que o
presidente estava bem.
"(No Recife), fizeram toda a avaliação
clínica nesse hospital e chegaram à
conclusão que foi um momento de
hipertensão", disse Kalil a jornalistas.
"Ele está cansado", acrescentou.
O cardiologista disse ainda que Lula
precisa passar por uma nova avaliação
médica. "Eu gostaria que essa avaliação
fosse feita o mais rápido possível, nos
próximos dias", afirmou.
O check-up já estava previsto, mas o
presidente ainda não escolheu a data.
Ele não realizou o procedimento em 2009,
como faz todos os anos.
Após o encontro com o cardiologista que
o acompanha há anos, Lula seguiu para
seu apartamento em São Bernardo do
Campo, na Grande São Paulo, onde chegou
às 11h50 e não conversou com os
repórteres.
Ainda em Recife, Lula acenou aos
jornalistas na base aérea antes de
embarcar para São Paulo e disse que
estava bem. Ele deve permanecer em casa
até domingo, segundo sua assessoria, e a
previsão é que assuma suas tarefas em
Brasília na segunda-feira.
Na quarta-feira, Lula cumpriu extensa
agenda em Pernambuco e passou o dia
sentindo-se indisposto com um incômodo
no peito. À noite, o presidente se
reuniu com o governador Eduardo Campos
(PSB), mas saiu antes do jantar para
viajar a Davos.
Antes de embarcar para a Suíça, onde
participaria do Fórum Econômico Mundial,
Lula recebeu a indicação do médico da
comitiva, Cleber Ferreira, para que
realizasse exames devido à viagem longa
que teria pela frente.
Segundo a assessoria da Presidência, a
pressão de Lula estava alta, em 18 por
12, quando ele teve o problema --fontes
do Planalto disseram que a pressão
normal dele é de 13 por 11.
Lula foi levado imediatamente para o
Real Hospital Português, em Recife, onde
passou a noite e tomou diuréticos.
Em São Bernardo, Lula está acompanhado
da primeira-dama, Marisa Letícia, e a
indicação é que autoridades e políticos
evitem as visitas para garantir o
repouso. Apenas a família deve ser
recebida.
"O bom senso é não procurá-lo", disse à
Reuters o deputado Ricardo Berzoini
(SP), presidente do PT, para quem a
crise se deve ao ritmo intenso de
trabalho.
Se o presidente precisar, o médico
Cleber Ferreira, que atende Lula há
cinco anos, permanecerá na cidade de São
Bernardo.
DIAS PUXADOS
Lula saiu de férias por dez dias, no
início do mês, quando viajou à Bahia e
ao Guarujá (SP), retornando às
atividades dia 11. Nos dias que se
seguiram, o ritmo de atividades foi
puxado.
Foram 12 cidades percorridas nos últimos
14 dias e mais de 30 compromissos entre
cerimônias, jantares, inaugurações
Brasil afora e atividades com o PT. Ele
já vinha se queixando de cansaço,
disseram fontes.
"Se eu fizer a agenda dele, vou para a
cama em 10 dias. Lula trabalha 16 horas
por dia", disse Berzoini.
Para o ministro das Relações
Institucionais, Alexandre Padilha, que
estava com Lula em Recife, a crise de
hipertensão "foi fruto de uma semana
muito cansativa".
"Foi um susto", disse Padilha a
jornalistas, já de volta a Brasília. "A
decisão de ir para o hospital foi porque
ele iria para uma viagem bastante
prolongada."
Também em Brasília, a ministra Dilma
Rousseff (Casa Civil) rechaçou a ideia
de que o ritmo forte de trabalho dos
últimos dias esteja relacionado à
disputa eleitoral deste ano.
"Não acho que o presidente trabalhe mais
em ano eleitoral do que em ano não
eleitoral", disse a ministra a
jornalistas antes de encontro com
dirigentes do PDT.
"Não é ontem ou esta semana. Quem
acompanha o presidente ou teve agenda
com ele sabe que é um esforço enorme, às
vezes você não para para almoçar. Teve
hora que a gente chamava, no ano
passado, de rali Paris-Dacar",
acrescentou a ministra que também
acompanhou Lula na viagem da véspera.
BEM DISPOSTO
Após os exames realizados em Recife, o
médico da comitiva informou que os
resultados tinham sido normais, daí a
alta nesta manhã. Segundo Padilha, o
presidente acordou bem disposto, logo
cedo nesta manhã.
"O presidente acordou a gente às 5h da
manhã, muito disposto do descanso que
fez. Acordou todo mundo que estava no
hospital, dizendo 'vamos embora' e teve
alta hospitalar sem problema nenhum",
afirmou o ministro.
O ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, confirmou que Lula deixou de
realizar os exames anuais.
"Ele se cuida, faz exercícios, controla,
mas, não sei se eu vou fazer uma
inconfidência, mas o médico dele
reclamou comigo que ele estava atrasado
nos exames. Com certeza deve estar
levando uma bronca da dona Marisa agora,
e dos médicos", afirmou.
O ministro das Relações Exteriores,
Celso Amorim, e o presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles,
representarão Lula no Fórum Econômico
Mundial, na estação de esqui suíça de
Davos, onde o presidente receberia o
prêmio "Estadista Global".
(Reportagem adicional de Natuza Nery e
Fernando Exman, em Brasília, e Alice
Assunção, em São Paulo)