Friday, 18/02/11 14:49:03 Atualizada em:Friday, 18/02/11 14:49:03
Setor privado confirma otimismo com 2010 após PIB, mas teme juro
A opinião é
compartilhada pelo presidente da representante das indústrias de
base, Abdib, Paulo Godoy, que considera factível um salto de 6
por cento da economia em 2010.
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SÃO PAULO (Reuters) - A leve retração da
economia brasileira em 2009 e o crescimento
no quarto trimestre, em um ano de crise
global, validou a crença da iniciativa
privada de que 2010 será promissor. Parte da
indústria, no entanto, teme que um aumento
do juro atrapalhe a trajetória dos
investimentos.
Em linhas gerais, associações setoriais
consultadas pela Reuters não viram surpresa
nos números da economia doméstica do ano
passado e ressaltaram que o resultado pode
ser considerado um alívio em relação ao
resto do mundo.
"Se considerarmos a média mundial, estamos
com um desempenho muito melhor", disse o
presidente da associação que representa os
shopping centers no país, Abrasce, Luiz
Fernando Veiga.
O PIB da construção civil, responsável por
cerca de um quinto da economia, deverá
apresentar expansão de pelo menos 10 por
cento este ano, acredita o presidente da
associação que representa os comerciantes de
material de construção, Anamaco, Cláudio
Conz.
"A perspectiva geral é positiva e vale dizer
que a construção civil é o setor de maior
efeito multiplicador da economia", afirmou
Conz, para quem a expansão do PIB brasileiro
ficará entre 5 e 6 por cento no ano.
O presidente da entidade que reúne a
indústria de materiais de construção,
Abramat, Melvyn Fox, lembra que o setor de
construção civil foi um dos que mais sofreu
em 2009 com a queda da atividade.
A economia brasileira recuou 0,2 por cento
no ano passado, segundo dados divulgados na
manhã desta quinta-feira pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
No quarto trimestre, houve expansão de 2 por
cento sobre o terceiro e crescimento de 4,3
por cento contra os três últimos meses de
2008. Os dados ficaram em linha com as
estimativas de economistas ouvidos pela
Reuters.
Todas as atividades da indústria
apresentaram queda em 2009, com redução de
6,3 por cento no segmento de construção
civil, conforme o IBGE. No quarto trimestre,
no entanto, a indústria de construção
cresceu 2,5 por cento, beneficiada pelo
aumento das operações de crédito
habitacional.
O setor de energia, prejudicado no ano
passado pela redução da demanda pelas
indústrias, também mostra otimismo com 2010.
Para o presidente da associação que
representa os comercializadores de energia
elétrica, Abraceel, Paulo Pedrosa, a crise
beneficiou o ajuste de oferta e demanda de
energia. "O soluço que tivemos no
crescimento em 2009 ajudou a evitar uma
situação maior de estresse, que poderia
ocorrer se não houvesse uma descontinuidade
no consumo de energia."
"Já estamos observando bons resultados neste
primeiro trimestre, principalmente por conta
do clima", corroborou o presidente da
entidade que reúne as concessionárias de
energia, ABCE, José Simões Neto.
O diretor econômico da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
--que chegou a prever uma queda de 1,5 por
cento do PIB--, Paulo Francini, estima um
cenário otimista, "com exceção de alguns
fantasmas, que sempre aparecem".
A opinião é compartilhada pelo presidente da
representante das indústrias de base, Abdib,
Paulo Godoy, que considera factível um salto
de 6 por cento da economia em 2010.
"Os maiores desafios ainda estão voltados à
infraestrutura. Um crescimento da ordem de 6
por cento ao ano demandaria um aumento de 12
por cento nos investimentos em logística."
JURO EM DEBATE
Algumas das principais dúvidas, contudo,
giram em torno da política monetária.
O economista-chefe da Federação Brasileira
de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg,
disse que o avanço da economia no último
trimestre reforça a expectativa de que o
juro subirá já na semana que vem, quando o
Comitê de Política Monetária (Copom) se
reúne para definir a taxa Selic. "Mas o
aumento de juro não será suficiente para
conter investimentos em 2010", ressaltou
Sardenberg.
Para o presidente da Associação da Indústria
Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto
Barbato, o aumento do juro inibiria o atual
clima de otimismo entre empresários, o que
poderia provocar o adiamento de planos de
investimento.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf,
apresentou um estudo nesta quinta-feira ao
presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, em que defende não ser o momento
para aumento do juro --o que poderia
prejudicar a indústria.
Entre os pontos principais, o estudo destaca
que a produção industrial ainda está 4,9 por
cento abaixo de setembro de 2008 e que o
setor investiu no ano passado e pretende
aumentar os investimentos em 10 por cento
este ano, o que afastaria pressões
inflacionárias.
"O Meirelles não poderia nem iria sinalizar
nada no sentido de se o juro vai baixar ou
subir", relatou Skaf após conversa por
telefone com o presidente do BC.
"Se o juro subir, haverá um travamento dos
investimentos e do emprego... Seria uma
irresponsabilidade. O BC precisa parar de
ter receio da demanda", acrescentou Skaf.
(Reportagem adicional de Alberto Alerigi
Jr., Aluísio Alves, Carolina Marcondes e
Vanessa Stelzer)
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