Friday, 18/02/11 14:44:00
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Friday, 18/02/11 14:44:00
Dólar sobe com piora externa e medidas do governo
"Tudo lá fora piorou. Estamos acompanhando a
alta do dólar lá fora e a queda nas bolsas de valores", disse Mario Battistel,
gerente de câmbio da Fair Corretora.
SÃO PAULO (Reuters) - O detalhamento de
medidas do governo para frear a entrada de capital externo no país e o aumento
da aversão a risco no exterior levaram o dólar a superar 1,70 real nesta
quinta-feira.
No fechamento, a moeda norte-americana desacelerou um pouco a alta para 1,25 por
cento, cotada a 1,696 real na venda, segundo grandes bancos consultados pela
Reuters. De acordo com a cotação divulgada pelo Banco Central no final do dia, o
dólar terminou a 1,702 real.
"Tudo lá fora piorou. Estamos acompanhando a alta do dólar lá fora e a queda nas
bolsas de valores", disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.
O dólar recuperava-se das perdas exibidas pela manhã e avançava ante uma cesta
de moedas, o que contribuía para a queda das commodities e, por tabela, dos
principais índices de ações nos Estados Unidos. A Bovespa acompanhava a toada e
cedia mais de 1 por cento no final da tarde.
"As tentativas do governo de conter a queda do dólar também devem ser
analisadas, principalmente se o dólar voltar a cair e o governo sinalizar que
pode tomar mais medidas para brecar a alta do real", completou Battistel.
Nesta sessão, o mercado repercutiu resoluções do Conselho Monetário Nacional
(CMN), divulgadas na véspera, que fecham brechas sobre a cobrança da alíquota
maior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no depósito de margens de
garantia na BM&FBovespa.
O governou vedou o aluguel, troca ou empréstimo de títulos, valores mobiliários
e outros ativos financeiros a investidor não residente, cujo objetivo seja
realizar operações no mercado de derivativos. Em outro texto, ficou estabelecido
que a migração interna de recursos em real destinados a constituição de margens
de garantia, inicial ou adicional, realizada por investidor não residente no
país também estará sujeita a contratações simultâneas de câmbio.
Para os economistas do HSBC Clyde Wardle e Majorie Hernandez, as constantes
modificações tributárias no mercado de câmbio criam incertezas indesejáveis,
passando a impressão de que o investidor estrangeiro não é bem-vindo ao Brasil.
"Uma das características da intervenção é que as autoridades estão trabalhando,
na maioria dos casos, com uma lógica de tentativa e erro", afirmaram.
Segundo o operador de uma corretora paulista, que pediu anonimato, os
investidores estrangeiros estão incomodados.
Outro profissional, que também pediu para não ser citado, disse que "bastante
estrangeiro zerou" posição vendida em dólar no mercado futuro.
Na quarta-feira, os estrangeiros exibiam 13,010 bilhões de dólares em posições
vendidas na moeda norte-americana nos mercados de dólar futuro e cupom cambial
(DDI). A posição, embora tenha diminuído em mais de 2,5 bilhões de dólares em
relação aos dois dias anteriores, ainda era uma das maiores do ano.