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O ministro da
Educação,
Fernando Haddad,
disse nesta
quinta-feira
(1), durante
entrevista à
imprensa após o
vazamento das
provas do Exame
Nacional do
Ensino Médio
(Enem), que o
inquérito da
Polícia Federal
que vai
investigar o
fato já foi
aberto e vai
correr em São
Paulo, cidade
onde houve a
oferta para o
jornal “O Estado
de S. Paulo”. A
nova prova,
segundo o MEC,
deve acontecer
em 30 ou 45
dias.
“[As pessoas que
fizeram a
oferta] Estão se
expondo de uma
maneira que
podemos chegar
aos autores do
delito com
alguma rapidez”,
disse. O
consórcio que
venceu a
licitação de
impressão da
prova foi
chamado a
Brasília para
dar explicações.
Ele foi o único
participante da
licitação.
Haddad disse que
vai avaliar
nesta tarde com
o consórcio se
ele continua
executando a
prova, além dos
custos do
adiamento.
Segundo o
ministro, todo o
contrato custa
cerca de R$ 116
milhões e a
reimpressão
responde por 30%
desse total
(aproximadamente
R$ 34,8
milhões). Há
duas
alternativas:
continuar com o
único consórcio
que participou
da licitação, ou
uma contrato
emergencial.
O ministro disse
que é preciso
novos requisitos
de segurança
para a prova. De
acordo com ele,
manter o
consórcio é uma
avaliação que
cabe ao Inep
fazer. Haddad
disse que esta
prova do Enem já
virou uma
espécie de
simulado.
O diretor do
Inep, Reynaldo
Fernandes, disse
que o ponto mais
sensível a
problemas de
segurança é a
distribuição das
provas, um
processo que já
tinha se
iniciado. Boa
parte do país já
recebeu as
provas que foram
invalidadas
hoje.
Ele disse também
que, para
respeitar os
prazos das
universidades
que vão usar a
nota do Enem nos
seus processos
seletivos,
haverá mais
gente para
corrigir as
provas.
Ao ser
perguntado se
tinha alguma
explicação a
dar aos alunos
que estavam
ansiosos por
fazer o Enem,
Haddad
brincou. "A
maioria dos
e-mails aqui era
para prorrogar o
prazo. Nove
entre dez
e-mails que a
gente recebe
dizem: que bom
que cancelaram a
prova."
O ministro
elogiou a
postura do
jornal "O Estado
de S. Paulo".
"Não fosse a
conduta do
jornal até aqui,
corríamos o
risco de aplicar
a prova e anular
semana que vem.
Seria um
transtorno pra
mais de 4
milhões de
pessoas."
Contato
Fernando
Haddad contou na
coletiva
que, por volta
das 21h30, foi
informado que o
jornal havia
recebido uma
oferta de provas
impressas do
Enem. Após isso,
uma equipe do
Instituto
Nacional de
Pesquisas
Educacionais (Inep)
fez uma checagem
com as
informações
passadas pelo
“Estado”.
Segundo o
ministro, no
Inep, não existe
prova impressa,
mas sim uma
digitalizada em
um cofre e em um
envelope
lacrado. A
impressão
acontece somente
na gráfica,
disse.
Por volta de 1h,
a equipe
confirmou que os
elementos
descritos pela
jornalista
estavam na prova
que seria
aplicada no
final de semana.
Logo após, o
presidente do
Inep, Reynaldo
Fernandes,
comunicou o
adiamento da
prova.
"A prova
impressa tem que
ter passado pela
gráfica. Uma
coisa seria o
vazamento do
banco de itens.
Outra seria o
manuseamento do
material
impresso. Até
pela experiência
acumulada nesta
área, há
realmente um
risco de
vazamento na
gráfica. Por
isso ela é
monitorada, com
câmeras que
gravam entrada e
saída de
pessoal. Mas não
posso excluir
nenhuma
possibilidade”,
disse.
A reportagem
do G1 esteve
nesta quinta
(1º) na sede da
empresa
responsável pela
impressão das
provas, a Plural
Indústria
Gráfica, em
Santana do
Parnaíba, na
Grande São
Paulo. Recebeu a
informação
de que a empresa
só falaria por
telefone. Foram
feitos dois
contatos
telefônicos,
durante a manhã
e à tarde, e os
funcionários que
atenderam disseram
que ninguém
poderia dar
informação
naquele
momento.
O presidente da
Associação
Brasileira da
Indústria
Gráfica (Abigraf)
em São Paulo,
Fabio Arruda
Mortara, disse
que é muito
difícil que a
prova tenha
vazado da
gráfica. Segundo
ele, há cerca de
30 gráficas no
estado de São
Paulo que teriam
capacidade
técnica e
estrutura de
segurança para
imprimir um
exame como o
Enem.
Mortara afirmou
que essas
gráficas têm
sistema interno
de câmera,
controle de
acesso por
digital,
vistoriam
funcionários na
entrada e na
saída, entre
outras medidas
de segurança.
“Elas trabalham
de forma
extremamente
profissional e
bem preparada.
Não achamos que
isso vazou pela
gráfica”,
afirmou. Mortara
disse que nesse
tipo de exame,
assim como em
provas de
concursos
públicos, em
geral,
funcionários da
instituição que
promovem a prova
vão até a
gráfica para
monitorar o
processo de
impressão.