BRASÍLIA (Reuters) - A economia
brasileira criou mais de 2,5 milhões de vagas de empregos formais em 2010,
apesar de ter cortado quase meio milhão de postos, mostraram dados do
Ministério do Trabalho e Emprego nesta terça-feira.
As informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
mostraram criação de 2,524 milhões de vagas em 2010, atendendo à meta do
governo de abertura de 2,5 milhões de empregos. Em dezembro, o Ministro do
Trabalho, Carlos Lupi, havia garantido que a meta seria cumprida.
O número, no entanto, só foi atingido com a antecipação da divulgação do
Rais, que concentra os dados de servidores públicos e informações de
celetistas repassadas fora do prazo. Geralmente, o dado só é apresentado no
meio do ano.
O Ministério afirmou que, a partir de agora, os dados do Rais serão
divulgados mensalmente para "reduzir a distância" entre os indicadores.
Sem a antecipação do dado, o número de empregos criados no ano seria de
2.136.947.
"Não há manipulação, a informação é a mesma, o dado é o mesmo, a metodologia
é a mesma, apenas estou antecipando a divulgação", disse Lupi a jornalistas.
No mês passado, foram cortados 407.510 postos de trabalho com carteira
assinada. O recuo se deve a fatores sazonais negativos, como a entressafra
agrícola, o término do período escolar e fatores climáticos.
"Dezembro temos os contratos temporários terminados, especialmente no setor
de serviço de indústria, indústria alimentícia... esse é um efeito sazonal
que sempre ocorre, sempre acima de 300 mil (cortes)", afirmou Lupi.
Os únicos setores que criaram vagas em dezembro foram o comércio, devido às
vendas de final de ano, e os serviços industriais de utilidade pública.
Pela primeira vez na série do Caged, iniciada em 1992, o número de empregos
formais gerados no ano ultrapassou a marca de 2 milhões de vagas. Lupi
atribuiu à retomada da economia em 2010 após a crise mundial para o recorde.
Para este ano, a previsão é de que o país crie cerca de 3 milhões de vagas
formais de emprego, afirmou Lupi. Ele acrescentou que a expectativa para
janeiro "é bem positiva", mas não deu números.
"Serviços deve continuar puxando mais fortemente, comércio também deve
avançar muito bem, e a construção civil", disse Lupi.
Para 2011, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é de 4,5
por cento, abaixo do crescimento estimado para 2010, de 7,5 por cento.
Lupi creditou às vagas a serem criadas pelo Programa de Aceleração de
Crescimento 2 (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida, além dos preparativos para a
Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, para uma meta maior.
(Reportagem adicional de Ana Nicolaci da Costa)