Friday, 18/02/11 14:57:17 Atualizada em:Friday, 18/02/11 14:57:17
China se irrita com discurso do Dalai Lama
No ano passado, a violência em
Xinjiang entre uigures e membros da etnia han, majoritária na
China, deixou pelo menos 200 mortos.
Rede Almeidense -
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PEQUIM (Reuters)
- As autoridades chinesas reagiram com
irritação a um discurso em que o Dalai Lama
afirmou que os budistas tibetanos estão
vivendo em condições análogas a uma prisão e
manifestou solidariedade à população de
Xinjiang.
A habitual ira chinesa contra o Dalai Lama
se intensificou depois do encontro dele com
o presidente dos EUA, Barack Obama, no mês
passado. Pequim qualifica o Dalai Lama como
um perigoso separatista, embora o líder
tibetano no exílio afirme que busca apenas
mais autonomia para o seu povo, sem querer a
independência plena.
Em discurso na quarta-feira, por ocasião do
51o. aniversário da sua fuga do Tibete, após
uma frustrada rebelião contra o regime
chinês, o Dalai Lama se referiu a Xinjiang
como "Turquestão Oriental", nome usado por
exilados separatistas dessa região chinesa
onde vive a etnia islâmica uigur.
"Isso expõe e prova sua intenção de dividir
a China e destruir a unidade étnica", disse
Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa,
respondendo à pergunta de um jornalista
sobre o Dalai Lama.
"O Dalai distorce a situação no Tibete,
ataca e insulta as políticas do governo
central no Tibete, para alardear suas
alegações separatistas de independência ou
semi-independência."
No seu discurso, o Dalai Lama também acusou
Pequim de colocar monges e monjas budistas
"em condições análogas a prisões", fazendo
com que "os monastérios funcionem mais como
museus (...) para aniquilar deliberadamente
o budismo."
Em 2008, protestos contra o domínio chinês
geraram grande violência e repressão no
Tibete e em regiões vizinhas, com pelo menos
19 mortos, pouco antes da Olimpíada de
Pequim. O regime comunista negou que tenha
havido exageros na reação aos tumultos.
"No Tibete, as pessoas podem acreditar no
que quiserem, desde que seja legal. O
governo não irá interferir. Em vez disso,
irá ajudar as pessoas a resolverem os
problemas", disse o vice-prefeito de Lhasa,
capital do Tibete, Jigme Namgyal, segundo o
jornal China Daily.
Padma Choling, governador da região
recém-nomeado por Pequim, afirmou: "Deixe o
Dalai Lama dizer o que quiser. Vamos
simplesmente continuar fazendo o que
fazemos."
A edição internacional do Diário do Povo,
órgão oficial do Partido Comunista,
acrescentou em um comentário que a melhor
forma de assegurar a estabilidade do Tibete
e de Xinjiang é fortalecer o desenvolvimento
nessas regiões.
"O Tibete e Xinjiang irão certamente se
desenvolver junto com o resto do país. Se
houver estabilidade no país, as fronteiras
terão uma paz que durará para sempre", disse
o jornal.
No ano passado, a violência em Xinjiang
entre uigures e membros da etnia han,
majoritária na China, deixou pelo menos 200
mortos.
(Reportagem adicional de Chris Buckley)
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