Cólera ameaça 200 mil no Haiti, alerta ONU
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total de mortes em decorrência do surto subiu para 800 na quinta-feira. Ao
menos 11.125 pacientes foram internados desde o início do surto, há mais de
três semanas.
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Da Rede Almeidense | Com agências

(1 de 1Versão na íntegra Por Stephanie Nebehay)
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Criança com cólera recebe tratamento na favela de Cite-Soleil em Porto
Príncipe: doença ameaça 200 mil pessoas no Haiti, segundo a ONU.
REUTERS/St-Felix Evens
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GENEBRA (Reuters) - Até 200 mil haitianos
poderão contrair cólera à medida que o surto, que já fez 800 vítimas, se
disseminar pelo país, de 10 milhões de habitantes, informou a Organização das
Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira.
Seria o dobro dos casos de uma
epidemia gigantesca de cólera no Zimbábue, ocorrida entre agosto de 2008 e julho
de 2009, que matou 4.287 pessoas. A estimativa da ONU para o número de casos no
Haiti baseia-se em parte no caso do Zimbábue.
Em um plano estratégico
desenvolvido com o governo do Haiti e com agências de ajuda humanitária, a ONU
disse que o Haiti precisa de um auxílio de 163,9 milhões de dólares ao longo do
ano que vem para combater a epidemia, o primeiro surto de cólera no país em um
século. O cólera também deve se espalhar para a vizinha República Dominicana,
informou a organização.
"A estratégia antecipa que um total de até 200
mil pessoas deverão ter os sintomas do cólera, indo dos casos de leve diarréia
até a desidratação mais grave", disse Elisabeth Byrs, do Escritório da ONU para
a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), numa entrevista coletiva em
Genebra nesta sexta-feira.
"Espera-se que os casos surjam numa explosão
de epidemias que ocorrerão subitamente em diferentes partes do país", afirmou
ela.
O total de mortes em decorrência do surto subiu para 800 na
quinta-feira. Ao menos 11.125 pacientes foram internados desde o início do
surto, há mais de três semanas.
"A taxa de mortes não está aumentando,
mas ainda é muito mais elevada do que o habitual: de 6 a 7 por cento. Deveria
ser muito mais baixa", disse o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS),
Gregory Hartl, na mesma entrevista coletiva.
FATORES DE RISCO CLÁSSICOS
A epidemia no Haiti foi agravada pelas enchentes causadas pelo furacão Tomas
este mês e soma-se à emergência humanitária na esteira do forte terremoto de
janeiro, que matou mais de 250 mil pessoas.
O tremor deixou cerca de 1,5
milhão de pessoas desabrigadas. As condições de moradia no país mais pobre do
Hemisfério Ocidental deixam as pessoas extremamente vulneráveis à doença,
disseminada por meio da água ou dos alimentos.
Toda a população está sob
risco porque ninguém tem imunidade ao cólera.
O país tem todos os fatores
de risco clássicos para a doença - acampamentos superlotados para os
sobreviventes desabrigados pelo terremoto, escassez de água potável, eliminação
imprópria de dejetos humanos e contaminação de alimentos durante ou após seu
preparo.
Já foram confirmados casos em cinco dos dez departamentos,
incluindo na capital, Porto Príncipe.
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