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Presidente Barack Obama fala sobre a economia na Casa Branca. Obama fará
seu discurso sobre o Iraque nesta terça-feira à noite, tendo de destacar
os avanços rumo ao fim da guerra. 30/08/2010
WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados
Unidos, Barack Obama, estará andando na corda-bamba ao fazer seu
discurso sobre o Iraque nesta terça-feira à noite, tendo de destacar os
avanços rumo ao fim da guerra, mas sem passar a ideia de que se trata de
um momento "missão cumprida".
A Casa Branca afirmou que o fim das missões de combate, que ocorre
oficialmente nesta terça-feira, deixando no Iraque apenas 50 mil
soldados para missão de apoio e treinamento, representa o cumprimento de
uma promessa feita por Obama durante a sua campanha eleitoral, em 2008.
Obama espera que a mensagem ajude seus correligionários democratas nas
eleições parlamentares de 2 de novembro.
O pronunciamento, marcado para as 20h (21h em Brasília), será apenas o
segundo discurso de Obama no Salão Oval da Casa Branca. Em junho, o
presidente havia usado esse local altamente simbólico para discutir a
resposta do seu governo ao vazamento de petróleo no golfo do México.
Enquanto Obama se preparava para o discurso, seu vice, Joe Biden, viajou
na segunda-feira ao Iraque para garantir aos iraquianos que os EUA não
os abandonarão.
Biden deveria conversar com líderes iraquianos envolvidos no impasse
para a formação do novo governo local, que se arrasta desde as
inconclusivas eleições de março.
Obama disse no domingo, em entrevista à NBC News, que os iraquianos
estão passando por um processo político que é natural numa democracia
recente. "Estamos confiantes em que isso vai passar", declarou.
Antes do discurso, Obama deve visitar militares em Fort Bliss, no Texas.
Durante o pronunciamento, o presidente precisa evitar uma imagem
excessivamente triunfal. Fazer isso evocaria comparações com o discurso
de 2003 de seu antecessor, George W. Bush, a bordo de um porta-aviões.
Em frente a um cartaz com os dizeres "missão cumprida", Bush anunciou
que as grandes operações de combate haviam terminado. A violência no
Iraque posteriormente explodiu e o evento passou a ser visto como um
grande tropeço.
"Vocês não ouvirão essas palavras vindas de nós", disse o porta-voz da
Casa Branca, Robert Gibbs, sobre o slogan "missão cumprida".
"Obviamente, amanhã (terça-feira) marca uma mudança na nossa missão. É
um marco que alcançamos na remoção das nossas tropas de combate. Isso
não quer dizer que a violência irá acabar amanhã."
Mais de 4.400 soldados dos EUA morreram no Iraque desde a invasão
norte-americana de 2003, que derrubou o regime de Saddam Hussein.
Obama, que foi contra o conflito, aproveitou o sentimento antiguerra que
havia em 2008 para se credenciar como candidato democrata à Presidência.
Quando tomou posse, em janeiro de 2009, os EUA tinham 140 mil soldados
no Iraque, contingente que havia chegado a 176 mil sob Bush.
Na prática, o fim das missões de combate não marca uma grande mudança no
terreno, porque os militares já vinham no último ano priorizando as
atividades de treinamento e assistência. Obama promete retirar todos os
soldados do Iraque até o final de 2011.