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Primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, se reúne com
moradores locais no vilarejo de Aksionovo-Zilovskoe. Putin sugeriu na
segunda-feira que deseja voltar à presidência em 2012. 30/08/2010
MOSCOU (Reuters) - O primeiro-ministro da Rússia,
Vladimir Putin, político mais importante do país, sugeriu na
segunda-feira que deseja voltar à presidência em 2012, para mais um
mandato de seis anos, e que manifestantes que fazem passeatas sem
autorização merecem apanhar.
Numa entrevista em que o jornal Kommersant perguntou se Putin não
estaria preocupado com a eleição presidencial de 2012, pois ela já
estaria decidida, ele respondeu: "Não, ela me interessa (...) como a
todos", respondeu Putin. "Na verdade, mais do que a qualquer um, mas não
quero fazer disso um fetiche."
Putin foi presidente de 2000 a 2008, antes de entregar o cargo ao
sucessor que escolhera, Dmitry Medvedev, que o nomeou primeiro-ministro.
Putin não podia disputar um terceiro mandato consecutivo, mas em 2012
estará liberado para concorrer outra vez.
"O mais importante é que esses problemas de 2012 não nos tirem do
caminho do desenvolvimento estável", acrescentou Putin.
O Kommersant informou que a entrevista foi feita no reluzente Lada
Kalina amarelo de Putin, no trajeto de 180 quilômetros entre Khabarovsk
e Chita, no extremo oriente russo. O entrevistador foi Andrei Koleniskov,
tradicionalmente o jornalista preferido do político.
Alguns analistas viram as declarações como mais um sinal de que Putin
deseja voltar ao Kremlin daqui a dois anos. A rádio Ekho Moskvy, que
costuma dar espaço à oposição, começou uma pesquisa com ouvintes e 86
por cento disseram "não" a um novo mandato de Putin. O resultado é
condizente com as opiniões da classe média moscovita, audiência habitual
da emissora, mas não da população como um todo, que continua tendo Putin
em alta conta, segundo outras pesquisas.
Na longa entrevista ao Kommersant, Putin defendeu enfaticamente a
repressão policial contra manifestantes pró-democracia nos últimos
meses. Ele disse que é preciso obedecer às leis em vigor, que exigem
autorização prévia das autoridades às manifestações.
"Se conseguirem (a autorização), podem fazer a passeata," disse Putin.
"Se não, vocês não têm esse direito. Saiam sem permissão e vão apanhar
na cabeça com cassetete. Só isso."