Pela 1a vez em 75 anos, Nobel da Paz não pode ser entregue
"Podemos afirmar, de certa forma, que a
China, com sua população de 1,3 bilhão de habitantes, está carregando o
destino da humanidade em suas costas", disse Jagland em um discurso.
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Da Rede Almeidense | Com agências

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Por Wojciech Moskwa
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Presidente da comissão do Nobel, Thorbjoern Jagland, ao lado da cadeira vazia
onde o vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Liu Xiabo, teria sentado na cerimônia em
Oslo. 09/12/2010
REUTERS/Heiko Junge/Scanpix Norway
OSLO (Reuters) - A China poderá enfrentar
uma crise econômica e social se não reconhecer amplamente os direitos civis,
o que terá consequências para o mundo inteiro, disse nesta sexta-feira o
Comitê do Nobel, na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz ao
dissidente chinês Liu Xiaobo.
Um assento vazio na cerimônia simbolizava a prisão de Liu. Foi a primeira
vez que nenhum representante de um homenageado preso pôde comparecer à
cerimônia desde 1935, quando o pacifista alemão Carl von Ossietzky foi
detido pelo regime nazista de Adolf Hitler.
A entrega do prêmio a Liu, atualmente cumprindo pena de 11 anos de prisão
por subversão, enfureceu o governo chinês no momento em que o país se torna
uma potência no cenário mundial. A China tentou usar a pressão diplomática
para convencer os países a não comparecerem à cerimônia em Oslo.
O presidente da comissão norueguesa do Nobel, Thorbjoern Jaglandm, disse que
Liu queria dedicar o prêmio às "almas perdidas" de 1989, quando soldados
reprimiram manifestações em Tiananmen, a praça central de Pequim. Segundo
testemunhas e grupos defensores dos direitos humanos, centenas de pessoas
foram mortas no incidente.
"Podemos afirmar, de certa forma, que a China, com sua população de 1,3
bilhão de habitantes, está carregando o destino da humanidade em suas
costas", disse Jagland em um discurso.
"Se o país se mostrar capaz de desenvolver uma economia de mercado social
com todos os direitos civis, isso terá um enorme impacto positivo no mundo.
Senão, existe o perigo do surgimento de uma crise social e econômica... com
consequências para todos."
Jagland pediu a libertação de Liu e disse que a reação do governo chinês
demonstrava que o prêmio era "necessário e apropriado".
Na ausência de Liu, a atriz norueguesa Liv Ullman leu o discurso que ele
pronunciou em seu julgamento há um ano.
"Não tenho inimigos e não tenho ódio. Nenhum dos policiais que me
monitoraram, prenderam ou interrogaram, nenhum dos promotores que me
indiciaram, e nenhum dos juízes que me julgaram é meu inimigo", disse Liu a
um tribunal chinês no dia 23 de dezembro de 2009.
"Eu, cheio de otimismo, aguardo ansioso pelo advento de uma China livre no
futuro. Pois não existe força que possa por fim à busca humana pela
liberdade, e a China, no final das contas, será uma nação regida pela lei,
onde os direitos humanos serão supremos."
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