Tamanho do texto
[A]
[A]
SALVADOR
(Reuters) - Em
um sinal do que
será a disputa
com a senadora
Marina Silva
(PV-AC), sua
provável
adversária na
sucessão
presidencial de
2010, a ministra
Dilma Rousseff
(Casa Civil, PT)
disse nesta
sexta-feira que
a ex-ministra do
Meio Ambiente
não representa o
projeto do
presidente Luiz
Inácio Lula da
Silva.
"Ela tem um
projeto
alternativo que
não podemos
desconsiderar,
que merece o
nosso respeito.
Mas é preciso
deixar claro que
a ex-ministra
não representa o
projeto do
presidente
Lula", afirmou
Dilma Rousseff a
jornalistas,
após participar
de missa na mais
famosa igreja da
Bahia, a de
Nosso Senhor do
Bonfim.
Dilma não quis
confirmar se vai
deixar o governo
em fevereiro
para se dedicar
à campanha, como
disse à Reuters
o presidente do
PT, deputado
Ricardo Berzoini
(SP).
"Para sair,
tenho de ser
indicada
candidata, o que
não aconteceu
até agora."
Vestida de
branco, como
manda a
tradição, Dilma
Rousseff chegou
à igreja às
7h15. Antes de
subir as
escadarias do
templo, tomou um
"banho de axé"
--folhas de
aroeira e pingos
de água foram
jogados em seu
corpo.
Em seguida,
ganhou dez
fitinhas do
Senhor do Bonfim
(todas na cor
branca). Ao lado
do governador
Jaques Wagner
(PT), a ministra
foi muito
aplaudida ao
entrar na igreja
e permaneceu
durante toda a
cerimônia ao
lado do altar.
Ela cantou parte
do hino em
homenagem ao
Senhor do Bonfim
e comungou.
Poucos minutos
depois do
início, o padre
Edson Menezes
pediu uma
"saudação
especial pela
saúde" da
ministra, quando
os cerca de 500
fiéis que
lotaram as
dependências do
templo bateram
palmas.
Faixas colocadas
na praça em
frente à igreja
e nas principais
ruas do bairro
diziam que o
Senhor do Bonfim
ajudou a
ministra a curar
um câncer. A
doença foi
divulgada em
abril. Após se
submeter a
quimioterapia e
radioterapia, os
médicos
responsáveis
pelo tratamento
anunciaram, no
final de
setembro, que a
ministra está
livre da doença.
BEIJO NEGADO
No final da
cerimônia,
quando deixava
as dependências
da igreja, a
ministra se
aproximou de uma
criança, Rian
Santos, de um
ano e oito
meses, e pediu
um beijo. A
criança, que
estava no colo
da mãe,
respondeu:
"Não". Mesmo
assim, a
ministra teve
jogo de cintura
para contornar a
situação e
beijou a
criança.
Do lado de fora
da igreja, a
ministra colocou
uma fitinha no
pulso e elogiou
a religiosidade
do povo baiano.
"Quem chega à
igreja do Bonfim
entende
perfeitamente os
motivos de os
baianos serem
tão religiosos.
Aqui (na
igreja), sinto o
coração, a alma
e a imensa
generosidade dos
baianos."
A pré-candidata
tem se
aproximado de
religiosos. Na
segunda-feira,
esteve em culto
da Assembléia de
Deus em São
Paulo e há cerca
de um mês
participou de
evento em
Brasília que
contou com a
participação de
representantes
das principais
igrejas
evangélicas do
país. Em março,
compareceu à
missa do padre
Marcelo, membro
da Renovação
Carismática
Católica.
Dilma, que
cumpre agenda na
Bahia desde
quinta-feira à
noite, admitiu
que haverá uma
polarização
entre o PT e o
PSDB na campanha
do ano que vem à
Presidência da
República.
"Queremos
confrontar o que
aconteceu após
2003 (quando o
presidente Lula
chegou ao poder
pela primeira
vez) e como era
o Brasil antes.
A polarização é
inevitável",
declarou.
Ainda sobre
sucessão, ela e
recusou a
comentar a
possibilidade de
ter dois
palanques na
Bahia --o do
governador
Jaques Wagner,
que deve
concorrer à
reeleição, e o
do ministro da
Integração
Nacional, Geddel
Vieira Lima, que
também pretende
estar na disputa
pelo PMDB. "Não
falo em dois
palanques porque
a eleição não
começou."
No sábado, a
ministra
continua na
Bahia. Ao lado
de Jaques
Wagner, visita
obras do PAC
(Programa de
Aceleração do
Crescimento),
depois da
previsão de
cinco cerimônias
nesta sexta.