
Papa Bento 16
fala com o público na praça São Pedro, no Vaticano. O papa deu a sua bênção às
redes sociais na segunda-feira, elogiando o potencial que elas têm, mas advertiu
que a amizade online não substitui o contato humano real. 23/01/2011
REUTERS/Tony Gentile
CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Papa Bento 16 expressou aprovação
condicional às redes sociais na segunda-feira, elogiando seu potencial mas
alertando que amizades online não servem como substituto para contato humano
real.
O pontífice de 83 anos, que não tem conta no Facebook, expressou suas
opiniões em uma mensagem com um título sério, que poderia funcionar como um
tweet: "Verdade, proclamação e autenticidade da vida na era digital."
Ele afirmou que as possibilidades das novas mídias e redes sociais oferecem
"uma grande oportunidade", mas alertou sobre os riscos de despersonalização,
alienação, falta de autocrítica e sobre o perigo de ter mais amigos virtuais
que reais.
"É importante lembrar sempre que o contato virtual não pode e não deve
substituir o contato humano real com as pessoas, em todos os níveis de
nossas vidas", disse o Papa em mensagem no Dia Mundial da Comunicação da
Igreja Católica.
Ele pediu aos usuários de redes sociais para se perguntarem quem são seus
vizinhos nesse novo mundo e para que evitem o risco de disponibilidade
permanente online acompanhada de "menor presença diante daqueles a quem
encontramos em nossa vida cotidiana".
Os vastos horizontes das novas mídias "exigem urgentemente uma séria
reflexão sobre a importância da comunicação na era digital", disse.
O papa não mencionou qualquer site ou aplicativo social específico, mas ao
longo da mensagem usou frequentemente termos como "compartilhar", "amigos" e
"perfis".
Disse também que as redes sociais podem ajudar "o diálogo, o intercâmbio, a
solidariedade e a criação de possíveis relacionamentos", mas acrescentou
diversos alertas.
"Entrar no ciberespaço pode ser sinal de uma busca autêntica de encontros
pessoais com os outros, desde que as pessoas fiquem atentas e evitem perigos
como o de se encerrarem em uma espécie de existência paralela, ou de o
exposição excessiva ao mundo virtual", disse.
"Na busca de compartilhamento, de 'amigos', há o desafio de ser autêntico e
fiel, e de não ceder à ilusão de construir um perfil público artificial",
afirmou.