Apesar de avanços, Brasil continua em baixa em índices globais
--Fonte |
O Brasil,
que pode se tornar a 6ª maior economia do mundo ultrapassando a
Grã-Bretanha se projeções recentes forem confirmadas, já
despenca dezenas de posições quando se considera a renda per
capita, resultado da divisão do PIB pela população. |
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Da Rede Almeidense | Com agências internacionais

Com informações do
site BBC Brasil | [ + ][ - ] |

Brasil subiu cinco posições em 2011 e passou a ser a 53ª
economia mais competitiva entre 142
O site afirma ainda, que em 2011,
o Brasil melhorou sua posição na maioria dos rankings internacionais
que medem diferentes aspectos do desenvolvimento, mas, por trás de
pequenos avanços, o país ainda tem desempenho fraco quando comparado
a nações do chamado mundo desenvolvido.
A BBC Brasil reuniu 10 indicadores, divulgados ao longo de 2011, que
vão além do Produto Interno Bruto (PIB) e inserem o Brasil em um
contexto global em áreas como renda, desigualdade, corrupção,
competitividade e educação.
O Brasil, que pode se tornar a 6ª maior economia do mundo
ultrapassando a Grã-Bretanha se projeções recentes forem
confirmadas, já despenca dezenas de posições quando se considera a
renda per capita, resultado da divisão do PIB pela população.
Nessa média, o brasileiro ganha,
por ano, o equivalente a US$ 10.710 (contra US$ 8.615 em 2009).
Segundo os últimos dados do Banco Mundial, 44 países têm renda per
capita superior à do Brasil, entre eles a própria Grã-Bretanha.
A renda dos britânicos, US$ 36.144, é três vezes maior do que a dos
brasileiros. Essa diferença, no entanto, vem caindo. Além disso, a
renda média do brasileiro continua superior à de seus colegas dos
Brics, a Rússia (US$ 10.440), a Índia (US$ 1.475), a China (US$
4.428) e a África do Sul (US$ 7.275).
Distribuição de renda

Brasil subiu cinco posições em 2011 e passou a ser a 53ª
economia mais competitiva entre 142
Essa simples divisão do PIB pelo
total da população, no entanto, sofre críticas de especialistas em
desenvolvimento por ignorar aspectos como a má distribuição da
renda. Quando a desigualdade entra na equação, a posição do Brasil
no cenário global despenca ainda mais, apesar dos avanços alcançados
no país nesse quesito.
Tomando como medida o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade
na distribuição da renda em 187 países, apenas sete nações
apresentam distribuição pior do que a do Brasil, segundo dados da
ONU: Colômbia, Bolívia, Honduras, África do Sul, Angola, Haiti e
Comoros.
O coeficiente usado nesta comparação para o Brasil é de 53,9. Quanto
mais perto de 100, maior a desigualdade. A Suécia, com coeficiente
de 25, é um dos países com menor concentração de renda.
Apesar dessa péssima posição no quesito desigualdade de renda, o
desempenho em outros aspectos do desenvolvimento medidos pela ONU
põem o Brasil em uma posição melhor no Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH).
O Brasil tem progredido no IDH e sua posição geral, em 84º lugar,
põe o país no grupo de alto desenvolvimento humano, mas ainda longe
do grupo mais seleto com desenvolvimento considerado "muito alto". A
lista de 47 países dessa elite é encabeçada pela Noruega.
Competitividade

Apenas sete nações apresentam distribuição de renda pior
do que a do Brasil
O IDH engloba diversas áreas como
educação, saúde, expectativa de vida, mas dados de outras
organizações servem para complementar o quadro do Brasil no cenário
externo.
A competitividade da economia brasileira, por exemplo, é medida por
instituições como o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em
inglês). No ranking do fórum, o Brasil subiu cinco posições em 2011
e passou a ser a 53ª economia mais competitiva entre 142.
A organização destacou o grande mercado interno e o sofisticado
ambiente de negócios como pontos fortes do Brasil, mas enfatizou o
sistema educacional, as leis trabalhistas consideradas rígidas e o
baixo incentivo à competição como entraves à competitividade
brasileira. A Suíça é a primeira nesse ranking seguida por
Cingapura.
Em outros quesitos que influenciam a economia, como Corrupção,
Ciência e Tecnologia e Educação, o Brasil continua mal, mas teve
pelo menos algum avanço.
A nota do Brasil avaliada pela Transparência Internacional sobre
corrupção passou de 3,7 para 3,8. Mas apesar dessa "melhora"
decimal, o Brasil caiu da 69ª para 73ª entre 182 países.
A queda se explica pelo progresso mais acentuado de outros países e
pela entrada de novas nações na lista da ONG. O país mais bem
colocado no ranking é a Nova Zelândia ( com nota 9,5), seguida pela
Dinamarca (com nota 9,4).
Apesar da queda, o Brasil tem a menor percepção de corrupção entres
potências emergentes como Rússia, Índia e China.
"Mas o Brasil não deve se orgulhar disso. Deve ver que há muito a
avançar para alcançar o nível dos países desenvolvidos", alertou o
mexicano Alejandro Salas, diretor da Transparência Internacional
para as Américas.
"Eu vejo que, às vezes, o tema é colocado em segundo plano, dentro
de um contexto de muito otimismo com o crescimento econômico e do
novo papel que o Brasil ocupa no mundo", acrescentou.
Outra área em que o Brasil fica tradicionalmente no "lado B" dos
rankings é a de Ciência e Tecnologia. Mas um estudo divulgado em
março pela Royal Society, academia nacional de ciência britânica,
mostrou um pequeno progresso do Brasil.
A representatividade dos estudos brasileiros teve um ligeiro aumento
de 1999 para 2003. Passou de 1,3% do total de pesquisas científicas
globais para 1,6%. São Paulo subiu de 38º para 17º lugar como centro
com mais publicações científicas do mundo.

Estudo da Royal Society, academia nacional de ciência
britânica, mostrou um pequeno progresso do Brasil no campo da Ciência
"Existe uma diversificação com
alguns países demonstrando lideranças em setores específicos como a
China em nanotecnologia e o Brasil em biocombustíveis, mas as nações
avançadas do ponto de vista científico continuam a dominar a
contagem de citações", analisou o relatório.
A China, no entanto, segue em uma velocidade muito superior à do
Brasil e já superou Europa e Japão na quantidade anual de
publicações científicas.
Na área de Educação, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento
(OCDE) divulga comparações internacionais que incluem o Brasil.
Os últimos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos
(PISA) pôs o país em 51º lugar entre 65 no ranking de leitura, em
55º no de matemática e em 52º no de Ciências. O país ficou entre os
últimos, mas a nota nas três áreas melhorou em relação à pesquisa
anterior.
O avanço do Brasil foi elogiado por Guillermo Montt, analista da
OCDE.
"O Brasil aumentou os resultados nas três áreas do estudo. Não são
muitos os países que conseguiram fazer isso (...) Não é uma surpresa
que o país continue em posições baixas no ranking já que o processo
de melhoria do ensino é algo lento e muito amplo", disse à BBC
Brasil.
Custo de vida
Na contramão dos avanços, ainda que lentos e graduais, há pesquisas
como a do banco suíço UBS feita em 73 países. Segundo o relatório, o
poder de compra no Rio e em São Paulo vem caindo nos últimos cinco
anos, apesar da elevação dos salários.
A pesquisa ilustra a tendência comparando o custo de vida no Rio e
em São Paulo com o de Nova York.
Nas duas cidades brasileiras, o custo de vida representava pouco
mais de a metade do custo de vida em Nova York há cinco anos. Hoje,
representa, respectivamente, 74% e 69% do custo de vida na metrópole
americana.
Também em agosto, a consultoria Mercer divulgou seu ranking anual.
São Paulo apareceu como a 10ª cidade mais cara do mundo, subindo 11
posições em um ano. O Rio foi a 12ª, subindo 17.
O Brasil também piorou no ranking que tenta medir a facilidade de se
fazer negócios em 183 países. Perdeu seis colocações, caindo da 120ª
para a 126ª posição, segundo o Banco Mundial. As avaliações levam em
conta dez indicadores e se concentram no ambiente de negócios entre
pequenas e médias empresas. O Brasil ficou bem, por exemplo, no item
"proteção a investidores", mas mal no que avalia a facilidade para
se pagar imposto.
Entre avanços e retrocessos, o otimismo entre os consumidores
brasileiros foi um indicador que manteve, em 2011, o Brasil no topo
das pesquisas globais.
Uma enquete da Nielsen, divulgada em outubro, por exemplo, mostrou
que, apesar dos sinais de desaceleração na economia, a confiança do
consumidor brasileiro foi a que mais cresceu no trimestre anterior à
pesquisa entre os 56 países pesquisados pela empresa.
A confiança dos brasileiros ficou atrás somente da de indianos,
sauditas e indonésios.
Virada
As projeções recentes de que o Brasil vá superar a Grã-Bretanha em
valor de PIB em 2011 não são unanimidade entre centros de pesquisa e
ainda precisam ser confirmadas pelos números do último trimestre que
saem nos primeiros meses de 2012.
Como a diferença entre as duas economias é pequena, a esperada
virada pode não ocorrer em 2011, se perspectivas atuais de
crescimento não se confirmarem ou se houver mudanças nas taxas de
câmbio dos dois países que influenciem o cálculo do PIB em dólares.