
A sede do Congresso Nacional, em Brasília. A presidente Dilma Rousseff pode
fazer ajustes nas lideranças do governo no Congresso. 7 de abril de 2012.
REUTERS/Ricardo Moraes
BRASÍLIA, Apesar de comemorar um
ano vitorioso no Congresso, conseguindo aprovar a maior parte das
matérias consideradas prioritárias para o governo, a presidente
Dilma Rousseff estuda mudanças nas lideranças do Congresso, disseram
fontes à Reuters.
A principal mudança em análise é a do líder do governo na Câmara,
deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que não conseguiu estabelecer
uma relação de confiança com a ministra das Relações Institucionais,
Ideli Salvatti, no ano passado.
Vaccarezza, que tentou ser o candidato do PT à presidência da
Câmara, trabalhou para ser nomeado ministro no lugar de Ideli,
quando a presidente deslocou Luiz Sérgio para o Ministério da Pesca.
Contudo, a articulação do petista não deu certo e desde então ele e
Ideli tem uma relação estritamente formal.
Uma fonte do governo, que pediu para não ter seu nome revelado,
contou que no final do ano passado a troca de Vaccarezza era dada
como certa no Palácio do Planalto, mas durante o mês de janeiro o
assunto não foi debatido com a presidente Dilma Rousseff.
O líder do governo funciona como
o representante do governo dentro da Câmara e do Senado. É dele a
responsabilidade por conduzir as negociações com os restante da base
aliada afim de evitar que os projetos sejam aprovados com conteúdos
contrários aos interesses do Executivo.
Nesse sentido, o petista também acumulou alguns desgastes com o
Palácio do Planalto. Um exemplo disso foi a votação da reforma do
Código Florestal na Câmara, quando o texto aprovado não levou em
conta posições claras da presidente que tinham sido negociadas com
Vaccarezza.
Ao mesmo tempo que a mudança nas lideranças prioridade no Palácio,
aliados do petista dizem que não pegarão em armas para mantê-lo no
cargo caso Dilma decida pela troca.
Uma fonte do PMDB, maior partido da coalizão de Dilma e que mantém
boas relações com Vaccarezza, disse que se a legenda for consultada
dirá que o petista é um bom articulador e ajuda o governo, mas não
entrará numa campanha pela sua manutenção.
Outra fonte do PT disse à Reuters, sob condição de anonimato, que
até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que levou
Vaccarezza à liderança do governo na Câmara durante sua gestão, já
não se moveria para impedir uma mudança imposta por Dilma.
Em conversas reservadas com aliados, Vaccarezza admite a dificuldade
de relacionamento com Ideli e acredita que ela trabalha por sua
substituição. O petista está fora do país e só retorna à Brasília na
reabertura dos trabalhos no Congresso, em fevereiro.
Em caso de troca, um novo líder do governo na Câmara deve ser
escolhido entre os deputados da bancada do PT e dois nomes circulam
no Palácio do Planalto como prováveis candidatos à sucessão, segundo
confirmaram duas fontes do governo.
Um seria o deputado Henrique Fontana (PT-RS), que já exerceu a
função antes de Vaccarezza. O outro seria o atual líder do PT na
Casa, Paulo Teixeira (PT-SP), visto como uma solução mais natural
porque teria ajudado Ideli a construir acordos na Câmara quando
Vaccarezza não atuava como esperado pelo Palácio do Planalto.
Outra vantagem de Teixeira é que ele tem boa relação com Marco Maia
(RS), o petista que preside da Câmara, com quem Vaccarezza também
não tem proximidade.
SENADO
Mas não é apenas na Câmara que pode haver troca na liderança. O
senador José Pimentel (PT-CE), que foi nomeado líder do governo no
Congresso em setembro depois que Dilma convidou o então ocupante do
cargo, deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS), para assumir o ministério
da Agricultura, tem outras aspirações.
É que antes de assumir o posto ele tinha firmado um acordo com a
senadora Marta Suplicy (PT-SP) para sucedê-la na vice-presidência do
Senado neste ano. Porém, depois que Pimentel foi nomeado líder o
acerto informal pode não ser cumprido pela ex-prefeita de São Paulo.
"Ela não quer cumprir o que foi acertado. Alega que pode ter
problema legal essa troca. Nós vamos tentar convencê-la", disse o
líder da bancada do PT no Senado, Humberto Costa (PE).
Essa posição da senadora tem causado constrangimento na bancada, já
que Pimentel exige o cumprimento do acordo. Costa não acredita que
Dilma se intrometa na disputa.
Mas se Dilma nomear Marta para um ministério, possibilidade hoje
remota, Pimentel poderia assumir a vice-presidência da Casa e Dilma
teria que escolher um novo líder para o Congresso.
A fonte do governo afirmou que Pimentel teve uma atuação discreta na
liderança do governo nesses poucos meses, tanto que o principal
interlocutor do Executivo na negociação do Orçamento no Congresso
foi o deputado Gilmar Machado (PT-MG), bastante experiente no tema,
e não Pimentel.
Já o líder do governo no Senado, o experiente Romero Jucá (PMDB-RR),
que já liderou as negociações do governo nas gestões de Fernando
Henrique Cardoso e Lula, teve uma atuação menos decisiva no último
ano, mas continua bem avaliado no Executivo.
Jucá sempre teve grande interlocução com os partidos de oposição
-PSDB e DEM-, mas como as duas legendas saíram das urnas
enfraquecidas o Executivo recorre muito pouco a acordos com elas
para aprovar matérias do seu interesse na Casa.