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Economistas ouvidos pela Reuters não veem folga, mas acreditam ser possível o cumprimento da meta do primário. Eles ponderaram, no entanto, que o contingenciamento não será suficiente para compensar a redução na taxa básica de juros e garantir a inflação no centro da meta, de 4,5 por cento.
Da Rede Almeidense | Com agências internacionais
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O governo informou ainda que os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa Minha Vida e Brasil sem Miséria estão totalmente preservados.
O governo
federal anunciou nesta quarta-feira um corte de 55 bilhões
de reais no Orçamento de 2012. O número é 10 por cento maior
que o contingenciamento anunciado em 2011, de 50 bilhões de
reais, e também busca garantir mais investimentos ao longo
do ano.
O contingenciamento prevê uma redução de 20,512 bilhões de
reais nas despesas obrigatórias -que envolvem gastos com
pessoal, entre outros- e uma diminuição de 35,010 bilhões de
reais nas despesas discricionárias, que mantêm os programas
dos ministérios.
O governo informou ainda que os investimentos do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa Minha Vida e
Brasil sem Miséria estão totalmente preservados.
Em entrevista após a divulgação do comunicado com o
contingenciamento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
disse que os investimentos devem crescer de 10 a 11 por
cento neste ano sobre 2011 e que o objetivo é garantir um
crescimento de 4,5 por cento da economia neste ano. Afirmou
também que o corte permitirá ao país cumprir tranquilamente
a meta do superávit primário, de 139,8 bilhões de reais.
Economistas ouvidos pela Reuters não veem folga, mas
acreditam ser possível o cumprimento da meta do primário.
Eles ponderaram, no entanto, que o contingenciamento não
será suficiente para compensar a redução na taxa básica de
juros e garantir a inflação no centro da meta, de 4,5 por
cento.
"A queda do juro pode ter um certo impacto na inflação, mas
o corte do Orçamento não deve ser suficiente para compensar
o estímulo que a política monetária deve dar este ano, e não
deve ser suficiente para que a inflação convirja para o
centro da meta", disse o estrategista-chefe do WestlB do
Brasil, Luciano Rostagno.
"Para isso, seria necessária uma maior desaceleração da
economia, mas isso não é o objetivo do governo",
acrescentou. "A inflação deve ficar consideravelmente acima
do centro da meta."
Economistas avaliaram também que o contingenciamento deve
dar suporte para o Banco Central continuar seu ciclo de
redução do juro básico do país, hoje em 10,50 por cento ao
ano.
"Acho que o Banco Central vai continuar cortando a Selic
porque a Fazenda tem garantido que vai cumprir o superávit e
o BC está se ancorando nisso para reduzir o juro", disse
Georges Gerbauld Catalão, gestor na Lecca Investimentos.
O governo anunciou ainda que as receitas com tributos foram
reduzidas em 24,6 bilhões de reais no Orçamento deste ano.
Já as contribuição da Previdência Social foram reduzidas em
4,8 bilhões de reais.
A secretária de Orçamento do Ministério do Planejamento,
Célia Correia, afirmou também nesta quarta-feira que foram
bloqueadas todas as emendas parlamentares, no valor de 20,3
bilhões de reais, no Orçamento de 2012. No ano passado, o
governo havia bloqueado 18 bilhões de reais do valor total
de 21 bilhões de reais de emendas previstas naquele momento.
CORTES QUE NÃO SAÍRAM DO PAPEL
O governo chegou a cogitar um contingenciamento mais
agressivo neste ano, mas desistiu da ideia para garantir uma
expansão maior do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
No final de 2011, quando as discussões sobre os cortes
começaram, os técnicos do governo chegaram a colocar na mesa
um corte entre 60 bilhões a 70 bilhões de reais. Mas, os
valores começaram a ser reduzidos diante do cenário externo
mais adverso, com impactos negativos no crescimento
brasileiro.
Para mostrar que esse cenário já não era possível e preparar
o terreno para anunciar um corte menor, o Ministério da
Fazenda divulgou na segunda-feira passada que reduziu sua
previsão de expansão do PIB de 5 por cento para 4,5 por
cento em 2012, o que já contempla redução de receita.
Na peça original do Orçamento enviada e aprovado pelo
Congresso Nacional, a estimativa de crescimento do PIB para
este ano era de 5 por cento.
No início deste mês, quando as conversas dentro da equipe
econômica engrenaram com mais força, o Ministério da Fazenda
chegou a defender um contingenciamento em torno de 50
bilhões de reais, ou até um pouco menos, justamente para não
deixar a economia desacelerar.
Apesar do esforço para mostrar mais austeridade fiscal, o
histórico do governo em cumprir os cortes anunciados não é
dos melhores.
Em 2011, o contingenciamento anunciado foi de 50 bilhões de
reais mas, na prática, apenas cerca de 30 bilhões de reais
no ano acabaram sendo de fato cumpridos.
Apesar disso, também no ano passado, o governo conseguiu
cumprir a meta cheia de superávit primário depois de dois
anos recorrendo ao abatimento dos investimentos do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) do cálculo para fechar a
conta.
(Colaborou Alonso Soto)