
O Itamaraty disse que as negociações vão prosseguir
por telefone e que é aguardada uma solução para
breve, mas não foi estimado um prazo para o anúncio
de uma decisão.
BRASÍLIA, 29 Fev (Reuters) - Brasil e México não
chegaram a um acordo para a revisão do acordo automotivo
que mantêm desde 2002 nesta quarta-feira, segundo o
Itamaraty.
O governo brasileiro insiste em incluir no novo
documento um dispositivo de cotas para importações de
veículos mexicanos, disse à Reuters uma fonte do
Executivo, ponto que seria o principal entrave da
negociação.
Outros pedidos brasileiros como um aumento paulatino da
exigência de maior conteúdo de autopeças mexicanas nos
automóveis exportados para o Brasil, hoje em 30 por
cento, e a inclusão de veículos pesados no acordo têm
sido melhor recebidas pelos mexicanos.
O Itamaraty disse que as negociações vão prosseguir por
telefone e que é aguardada uma solução para breve, mas
não foi estimado um prazo para o anúncio de uma decisão.
A fonte do Executivo brasileiro, que pediu para não ter
seu nome revelado, disse que o país "não abre mão das
cotas" numa possível revisão do acordo. Essas cotas
seriam flexíveis e funcionariam num modelo semelhante ao
adotado com a Argentina atualmente.
O acordo entre os dois países já teve um dispositivo de
cotas de importações, que vigorou até 2007, mas depois
essa exigência foi abandonada.
Em entrevista a jornalistas mexicanos na terça-feira, o
subsecretário de Comércio Exterior, Francisco de
Rosenzweig, disse que ainda estava "tendo muito cuidado
para entender ao que se referiam as cotas".
As conversas entre os dois países para a revisão do
acordo tiveram início neste mês e na terça-feira foram
aprofundadas com reuniões entre ministros dos dois
países. O Brasil esperava obter um resultado das
negociações nesta quarta, mas os mexicanos pediram mais
tempo.
Na terça, depois de horas de reuniões, o porta-voz do
Itamaraty ainda não descartava a hipótese de
encerramento do acordo de mais de dez anos. O Brasil
considera que nos últimos meses o acordo se tornou
maléfico para sua balança comercial e já ameaça empregos
na cadeia produtiva automotiva.
No ano passado, o país registrou um déficit comercial de
aproximadamente 1,7 bilhão de dólares com o acordo.
(Por Jeferson Ribeiro, reportagem adicional de Esteban
Israel em São Paulo)