SÃO PAULO, 17 de janeiro (Reuters) - O
reajuste sazonal dos preços de educação somado à elevação da tarifa de
ônibus urbano em São Paulo aumentaram a pressão sobre os índices de inflação
de meados de janeiro, enquanto o mercado elevou mais uma vez a projeção para
a taxa de 2011 na semana em que o Banco Central deve retomar o ciclo de
aperto monetário.
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 1,06 por cento na
segunda prévia de janeiro, após alta de 0,92 por cento na primeira. Os
custos de Educação aceleram a alta para 2,43 por cento ante 1,46 por cento,
e os de Transportes avançaram 1,49 por cento agora, comparado a 0,91 por
cento.
Outro dado divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Geral de
Preços-10 (IGP-10), porém, desacelerou em razão da diminuição do impacto dos
alimentos, para 0,49 por cento. Mas o componente do varejo, ainda que tenha
subido menos, manteve-se bastante alto, mostrando a pressão da educação e
dos transportes, que tiveram alta de, respectivamente, 1,68 e 1,07 por
cento, ante 0,32 e 0,66 por cento no mês anterior.
"Esses impactos são típicos do início do ano, vamos ver isso (transportes e
educação) influenciando os índices de inflação nos três primeiros meses do
ano", afirmou Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
"Mas não é só isso. Os núcleos também mostram-se pressionados, mostrando que
há componentes de (pressão de) demanda."
Essas pressões se sentem-se sobretudo no varejo, mas a inflação no atacado
também deve ficar alta, devido à volta da alta dos alimentos, já que os in
natura costumam subir no começo do ano, tipicamente quente e chuvoso, o que
compromete a plantação de muitos produtos. Além disso, as commodities no
exterior retomaram a elevação.
"Projetamos que os preços de milho, soja e bovinos não registrarão
comportamento tão benigno nas próximas leituras... (e) o minério de ferro
não registre mais deflação nas leituras ao longo do primeiro trimestre",
afirmou em nota a LCA Consultores.
INFLAÇÃO X COPOM
Outro relatório da manhã, o Focus, pesquisa do BC feita com analistas,
mostrou que o mercado elevou sua previsão para a inflação medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano para 5,42 por cento
contra 5,34 por cento na semana anterior, na sexta alta seguida.
A meta de inflação tem centro em 4,50 por cento e tolerância de 2 pontos
percentuais para cima ou para baixo.
Segundo levantamento da Reuters da semana passada, todas as 21 instituições
financeiras ouvidas esperam alta da taxa básica de juro Selic em 0,50 por
cento nesta quarta-feira, para 11,25 por cento , mesma previsão apurada pelo
Focus.
"O aumento da inflação no período recente (tanto cheia quanto os núcleos) e
das expectativas de inflação estão entre os motivos que devem fazer o Copom
iniciar um ciclo de aumento de juros", disse José Francisco Gonçalves,
economista-chefe do Banco Fator.
O IGP-10 mediu os preços de 11 de dezembro a 10 de janeiro, enquanto o IPC-S
apurou a variação entre 16 de dezembro e 15 de janeiro.