SÃO PAULO (Reuters) - Governo e trabalhadores não chegaram a um acordo para
o valor do salário mínimo deste ano em nova reunião nesta sexta-feira. O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou a proposta de um mínimo de 545
reais, enquanto as centrais sindicais insistem em um reajuste acima da
inflação.
O argumento principal do governo da presidente Dilma Rousseff é o impacto de
um aumento maior do mínimo nas contas públicas em uma época de estudo de um
corte de gastos do Orçamento da União.
"Esses valores impactam as contas do governo num momento de esforço fiscal
que é importante para todos", disse Mantega a jornalistas após reunião com
seis centrais sindicais.
As centrais sindicais pedem um valor de 580 reais para o salário mínimo, mas
já aceitam negociar esta demanda, desde que haja algum aumento real.
"Lamentavelmente, nós não tivemos acordo", disse o presidente da Força
Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), após a reunião, a
segunda do governo Dilma Rousseff sobre o assunto.
Ele classificou o encontro como "frustrante" e reclamou que aumentar o
salário mínimo não é gasto, e sim investimento, rebatendo argumento de
Mantega.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da
Silva, afirmou que "ninguém quer a volta da inflação", mas que "nós não
estamos tendo uma inflação de demanda. Nós estamos vivendo uma inflação
fruto da tentativa de especulação de alimento, de commodities".
Segundo Mantega, a proposta do governo é manter o acordo para reajuste do
mínimo, realizado em 2006, que leva em conta a inflação do ano anterior e o
crescimento da economia visto dois anos antes.
O governo já admite enviar ao Congresso o valor de 545 reais mesmo sem
acordo com as centrais, segundo o ministro Gilberto Carvalho, da
Secretaria-Geral da Presidência, presente ao encontro. Haverá uma próxima
reunião ainda sem data.
(Reportagem de Carmen Munari e Silvio Cascione)