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"Vamos levar à presidente uma proposta no início de fevereiro", disse o ministro
da Fazenda, Guido Mantega sobre o projeto de corte no Orçamento. 24/11/2010
REUTERS/Ricardo Moraes
BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da
Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira que o governo ainda não
determinou um número para o corte do Orçamento, que deve ser apresentado à
presidente Dilma Rousseff apenas no início de fevereiro.
"Não existe número. A Fazenda não tem proposta", afirmou ele a jornalistas,
negando uma notícia da Folha de S. Paulo de que o ministério teria sugerido
a Dilma um bloqueio superior a 40 bilhões de reais, podendo chegar a 50
bilhões.
"A gente vai discutir cada projeto... e vamos levar à presidente uma
proposta no início de fevereiro... O trabalho vai demorar umas duas, três
semanas."
Desde sua definição, a equipe econômica do novo governo adotou um discurso
claro de redução dos gastos, mas o mercado continua cauteloso sobre o tema
enquanto números concretos não são anunciados. Os cortes são vistos como
instrumento importante em meio à pressão inflacionária e esperada alta de
juros, o que pode valorizar ainda mais o real.
"Hoje vamos estabelecer os critérios para que cada ministério faça um
trabalho junto com o Planejamento e a Fazenda... (ver) quanto é possível
reduzir em cada ministério", disse Mantega referindo-se à primeira reunião
ministerial da presidente Dilma Rousseff, marcada para esta tarde.
"Planejamos uma redução sensível dos gastos. Vamos olhar se tem gordura em
algum lugar, algo que possa ser reduzido... Sempre é possível aumentar a
eficiência, fazer mais com menos gastos."
Mantega também comentou o swap cambial reverso, anunciado pelo Banco Central
em mais um passo para tentar conter a valorização do real.
"É mais uma orientação de que nesse momento é necessário uma intervenção
maior no mercado de derivativos, no mercado futuro. O BC voltou a fazer uma
intervenção clássica."
"Quando você entra com swap reverso... neutraliza a venda e impede que haja
uma valorização do real."
É a segunda medida adotada neste ano para tentar conter a alta da moeda. Na
semana passada, o BC anunciou a imposição de depósito compulsório sobre o
valor da posição de câmbio vendida dos bancos . Analistas, no entanto,
disseram que a medida teria pouco impacto sobre o mercado.
(Reportagem de Hugo Bachega)