
Atriz Hilary Swank nos Oscars, em Hollywood, em
fevereiro. Seu filme "A Inquilina" estreia nesse final de semana nos cinemas
nacionais. 27/02/2011
REUTERS/Lucas Jackson
SÃO PAULO (Reuters) - Pobre Hilary Swank,
não tem tido muita sorte nas telas. Em "Amélia" foi uma aviadora que sumiu
sem deixar pistas; em "A Colheita do Mal" enfrentou pragas de proporções
bíblicas; e, agora, em "A Inquilina", encontra um locatário que está mais
preocupado em persegui-la do que receber o aluguel em dia.
Fica difícil entender as escolhas da atriz -- que tem grandes trabalhos em
seu currículo, como "Menina de Ouro" e "Meninos Não Choram", que inclusive
lhe renderam dois Oscar.
Em "A Inquilina", Hilary é Juliet, médica de pronto-socorro que se atola no
trabalho para esquecer a separação. Ela encontra um apartamento, não muito
novo, mas com preço acessível e perto de seu trabalho. No prédio moram
apenas o dono, Max (Jeffrey Dean Morgan, de "Os Predadores"), e seu pai,
August (o veterano Christopher Lee, da trilogia "O Senhor dos Anéis").
Coisas estranhas acontecem, porque do contrário não haveria filme. Tudo
balança quando o trem passa nos trilhos ao lado do prédio, uma taça de vinho
tinto cai no piso branco e faz lembrar sangue -- esse é o ponto alto da
direção nada inspirada do finlandês Antti Jokinen, que até o final dos
intermináveis 90 minutos do longa vai abusar da boa vontade do público com o
excesso de clichês.
Muito antes da metade da história, Max mostra que não é bem o sujeito
bonzinho que até agora fingiu ser. Ele é obcecado por Juliet -- e não se dê
ao trabalho de perguntar o porquê. Por isso, ele a observa por vãos e
frestas que ligam os dois apartamentos. A moça, por sua vez, vai se deixando
seduzir pelo locatário. Até o momento em que a trama caminha para a
conclusão, que não poderia ser mais frustrante.
O tédio de "A Inquilina" deve muito ao fato de que Jokinen copia sem
qualquer pudor clássicos e não-clássicos do gênero psicopatas-em-ação -- com
a variante apartamento- maldito -- sem se dar ao trabalho de criar algo
original. Estão aqui "Psicose", "Mulher Solteira Procura" e até "Invasão de
Privacidade", sem falar na "trilogia do apartamento" de Roman Polanski:
"Repulsa ao Sexo", "O Bebê de Rosemary" e "O Inquilino".
Mas Jokinen não sabe muito bem como orquestrar o pastiche de referências. A
história é obvia demais para causar qualquer tipo de comoção no público. Não
há tensão de qualquer espécie. E só a distraída Juliet custa a perceber que,
algumas vezes, o aluguel anda pela hora da morte.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb
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