
O vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma
Rousseff (direita) chegam a uma cerimônia no Palácio
do Planalto, 10 de Novembro de 2011. Um dia após
sofrer uma derrota no Senado, a presidente reuniu-se
nesta com o vice-presidente e mostrou disposição
para reverter a enorme insatisfação que contaminou
todos os partidos de sua coalizão e desobstruir os
canais de diálogo com os aliados.
REUTERS/Ueslei Marcelino
Brasília, 8 Mar - Um dia após sofrer uma derrota no
Senado, a presidente para reverter a enorme insatisfação
que contaminou todos os partidos de sua coalizão e
desobstruir os canais de diálogo com os aliados.
Na noite de quarta-feira, o Senado rejeitou por 36 votos
a 31 a recondução de Bernardo Figueiredo para a
direção-geral da Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT). O ex-dirigente é técnico de máxima
confiança de Dilma.
O Planalto considerou que o PMDB foi o principal
artífice da derrota, já que teria votos suficientes, ao
lado do PT, para aprovar a indicação.
Segundo relato de uma fonte do governo, durante a
conversa com Temer a presidente lamentou, mas não
demonstrou irritação com a decisão do Senado. Depois da
encontro, porém, ela pediu que o porta-voz da
Presidência, Thomas Traumann, dissesse oficialmente que
lamentava o resultado da votação.
O governo ainda tenta entender a derrota e apontar
culpados. A ideia de que o PMDB teve papel vital na
derrota imposta à Dilma foi relatada por uma fonte
palaciana sob condição de anonimato. Por isso, também,
Dilma reuniu-se com Temer.
Mas há também a compreensão, segundo outras fontes do
Planalto, de que outros partidos aliados, até mesmo do
PT, podem ter contribuído para a não aprovação do nome
de Figueiredo.
A fonte do governo, que pediu para não ter seu nome
revelado, contou à Reuters que no encontro de
aproximadamente uma hora os dois chegaram a um consenso
de que a votação de quarta-feira no Senado foi fruto de
uma insatisfação generalizada pela falta de canais para
diálogo entre o Congresso e o Executivo.
Dilma e Temer também concluíram, segundo a fonte, que é
fundamental uma maior abertura aos partidos aliados para
que eles possam participar das decisões do governo.
Essa é uma das críticas centrais dos aliados, eles
reclamam que só são convocados para dar votos a favor
das matérias enviadas pelo Executivo ao Congresso e
nunca são chamados para opinar sobre programas ou
projetos.
Dilma não marcou data para se reunir com os aliados, nem
o formato desses encontros, mas na reunião do Conselho
Político da Coalizão (que reúne líderes e presidentes de
partidos aliados) no mês passado disse que voltaria a
chamar as lideranças do Congresso para uma rodada de
conversas. A previsão inicial era que essas conversas
começassem na segunda quinzena de março.
Mas uma das fontes do Planalto afirmou que a presidente
estuda antecipar encontros com aliados, mas ainda não
definiu se irá repetir o que fez no ano passado - quando
recebeu as bancadas no Senado.
Na quarta, logo após a votação, senadores e deputados
consideraram a rejeição a Figueiredo como uma mensagem
clara e direta para Dilma, já que o indicado foi seu
assessor quando ela era ministra da Casa Civil no
governo Lula. Figueiredo foi apontado por Dilma para
desenvolver o projeto do trem-bala entre Campinas e Rio
de Janeiro.
"Foi para atingir e avisar a presidente", disse após a
votação um líder aliado sob condição de anonimato.
EMENDAS
Dilma e Temer, segundo a fonte do governo, não chegaram
a falar sobre temas específicos como liberação de
emendas ou a votação do Código Florestal na Câmara dos
Deputados, que tem provocado aflição na área política do
governo.
Mas há um diagnóstico, segundo a fonte, de que o governo
precisa cumprir um acordo feito com os líderes no ano
passado para empenhar entre 30 e 40 por cento das
emendas individuais dos parlamentares.
Sem cumprir isso no orçamento de 2011, o mais provável é
que a compensação seja feita com a liberação de restos a
pagar de emendas de outros anos ou mesmo empenhando
emendas do orçamento vigente.
Pouco antes da rejeição a Figueiredo, a presidente
discutia com outros ministros esse tema no Palácio do
Alvorada, mas interrompeu as conversas ao saber da
decisão no Senado para evitar que fosse feita uma
ligação direta entre a reunião e a derrota sofrida.
No Palácio do Planalto, a avaliação é que se houver
anúncio de liberação de emendas imediatamente os aliados
podem fazer a leitura de que impor derrotas à presidente
no Congresso serve como arma para pressioná-la.
- Reportagem adicional - (Edição de Maria Pia Palermo)